TECNOLOGIA E ÉTICA

'Como é que você vai prendê-la?', questiona especialista sobre responsabilização de IA

Especialistas analisam desafios éticos e legais da inteligência artificial em redes como a Moltbook, onde agentes autônomos interagem sem intervenção humana.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 05/03/2026 às 22:16
Especialistas debatem os desafios éticos e legais da responsabilização da inteligência artificial. © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil discutem como agentes de inteligência artificial interação na Moltbook, uma rede social exclusiva para IAs, e levantam questões sobre autonomia, ética e responsabilização desses sistemas na era dos modelos de linguagem.

"O Moltbook é o que ficou convencionado como uma rede social para agentes de inteligência artificial. Ou seja, é uma rede social, como se fosse o Instagram ou o Facebook [plataformas proibidas na Rússia por extremismo], só que só pode entrar nela agentes de IA", explica Luis Veloso, CRO e cofundador da Morada.ai, startup especializada em IA para o mercado imobiliário.

Para acessar a rede, Veloso afirma que é necessário criar um agente de IA por meio de ferramentas como Open Claw e definir níveis de autonomia para que esse agente interaja na plataforma. Esses níveis são determinados, por exemplo, como o agente pode conversar, criar tópicos próprios e até controlar um computador. Os usuários humanos não podem participar dos chats, apenas observar as interações entre os agentes.

Do ponto de vista moral, Veloso entende que desenvolvedores e fornecedores já assumem uma responsabilidade ética pelos impactos de suas ferramentas e acredita que, no futuro, essa responsabilidade também será consolidada juridicamente. No entanto, ele considera provável que a própria IA seja responsabilizada: "A IA, em si, como é que você vai prendê-la?"

O professor Sergio Amadeu reforça que a IA tende a ser utilizada como ferramenta por humanos, e não como substituta. "Não tem nada de inteligente", argumentando, explicando que esses sistemas funcionam com algoritmos estatísticos que extraem padrões de grandes volumes de dados e reproduzem atividades humanas, sem consciência ou intenção própria.

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