ECONOMIA INTERNACIONAL

Conflito com Irã reforça postura 'dovish' do Fed, diz diretor

Stephen Miran, do Federal Reserve, afirma que tensões geopolíticas aumentam sua disposição por política monetária mais branda.

Publicado em 06/03/2026 às 14:53
Stephen Miran Reprodução / internet

O diretor do Federal Reserve (Fed), Stephen Miran, declarou que o conflito envolvido no Irã fortalece sua posição favorável a uma política monetária mais flexível. Segundo Miran, choques nos preços do petróleo podem impulsionar a atividade econômica e, de forma paradoxal, reduzir a inflação subjacente ao enfraquecer a demanda. “Se alguma coisa, o conflito com o Irã me deixa ainda mais inclinado a uma postura ‘dovish’”, afirmou em entrevista à CNBC. Ele acrescentou que o Fed normalmente não reage diretamente às oscilações nos preços do petróleo.

Sobre o mercado de trabalho, Miran ponderou que é prematuro tirar conclusões de um único relatório mensal de emprego. “Tenho cautela em ler demais uma única folha de pagamento”, disse. Ainda assim, avaliou que o mercado de trabalho poderia se beneficiar de mais apoio da política monetária.

O dirigente também afirmou que, no momento, não enxerga um problema de inflação na economia americana e destacou que não há pressão inflacionária vinda dos aluguéis. Em sua análise, o banco central pode estar "perseguindo uma inflação fantasma", indicando que a política monetária atual pode estar desajustada.

Miran acrescentou ainda que não sabe se é o membro mais “dovish” do Fed, “mas certamente sou um deles”. Para ele, a taxa de juros neutra estaria entre 2,5% e 2,75%.

Por fim, o dirigente afirmou que pretende permanecer no banco central até que Kevin Warsh ou outro indicado seja aprovado pelo Senado para ocupar sua cadeira.