IMPACTO GLOBAL

Crise no Oriente Médio pressiona bancos centrais e reacende temor de estagflação

Tensão geopolítica e alta do petróleo desafiam políticas monetárias e ameaçam crescimento econômico em diversos países.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 09/03/2026 às 05:41
Alta do petróleo e tensão no Oriente Médio pressionam bancos centrais e aumentam risco de estagflação. © AP Photo / Leo Correa

A escalada da crise no Oriente Médio elevou o preço do petróleo, derrubou mercados e colocou bancos centrais sob pressão iniciada, forçando os países a equilibrar a inflação crescente, o risco de estagflação e a necessidade de proteger economias já fragilizadas.

O conflito, desencadeado por ações dos EUA e de Israel contra o Irã, alterou o cenário para os bancos centrais. O aumento do preço do petróleo e a instabilidade geopolítica tornam as decisões de política investidas mais arriscadas e politicamente delicadas, especialmente em nações dependentes de energia importada.

Segundo a Reuters, nos mercados asiáticos emergentes, cortar juros deixou de ser uma opção simples. A alta dos combustíveis pressionou ainda mais os preços internos, enquanto a fuga para o dólar ameaça provocar saídas de capital.

A Índia, por exemplo, busca priorizar o crescimento mantendo juros baixos, mas a desvalorização da rupia pode obrigar o banco central a agir de forma mais incisiva para defender a moeda.

Tailândia e Filipinas também enfrentaram dilemas: mesmo com economias fragilizadas pelo custo da energia, podem ter de abandonar políticas expansionistas. Para analistas ouvidos pela mídia britânica, a ausência de uma perspectiva clara para o fim do conflito eleva diariamente o risco de estagflação, cenário temido por governos e mercados.

A turbulência já atinge os mercados financeiros. As bolsas asiáticas recuaram, o dólar se valorizou e o petróleo ultrapassou os US$ 110 (R$ 580,49), alimentando temores de uma guerra prolongada e de uma inflação global mais persistente. Países com forte base manufatureira, como Coreia do Sul e Japão, são especialmente vulneráveis, pois carecem de cadeias de suprimentos provenientes e custos baixos de materiais-primas.

Na Coreia do Sul, o banco central pode adotar uma postura mais rígida caso a inflação permaneça acima da meta, embora os analistas ainda considerem a possibilidade de um aumento imediato dos juros. No Japão, o dilema é mais intenso: com o petróleo caro diminui o potencial de crescimento e a inflação acima da meta há quase quatro anos, o Banco do Japão oferece de pouco espaço para ignorar a pressão inflacionária, mesmo sob risco de lesões políticas.

Austrália e Nova Zelândia ilustram como ciclos econômicos distintos complicam a atuação dos formuladores de política monetária. Na Austrália, o temor é que o petróleo desanima as expectativas de inflação, exigindo juros altos por mais tempo. Já na Nova Zelândia, ainda fragilizada pelos juros financeiros anteriores, pode ser necessário tolerar uma inflação mais elevada para evitar sufocar ainda mais a atividade econômica, segunda apuração.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que um aumento persistente de 10% no preço do petróleo pode adicionar 40 pontos-base à inflação global.

Para a diretora-gerente Kristalina Georgieva, o momento exige que governos e bancos centrais “pensem não impensável” e se preparem para um ambiente econômico marcado por choques sucessivos e incertezas prolongadas.