ENERGIA E AGRONEGÓCIO

CNA solicita ao governo aumento da mistura de biodiesel para 17% diante de crise no Oriente Médio

Confederação argumenta que medida é urgente para conter alta do diesel e garantir segurança energética nacional

Publicado em 09/03/2026 às 08:42
João Martins da Silva Reprodução / internet

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) encaminhou ao governo federal um pedido para aumentar de 15% para 17% a mistura mínima obrigatória de biodiesel ao óleo diesel. Segundo a entidade, a medida é necessária devido à escalada do conflito no Oriente Médio, que já pressionou o preço do petróleo e, consequentemente, do diesel no mercado interno. O pleito foi formalizado em ofício pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, assinado pelo presidente da CNA, João Martins da Silva.

A CNA destaca a preocupação do setor produtivo com as recentes elevações do preço do petróleo, oscilações no abastecimento, custos logísticos e os possíveis impactos negativos na macroeconomia nacional resultantes do conflito internacional. Para a entidade, a ampliação imediata do mandato do biodiesel é considerada “urgente”, pois pode garantir o preço competitivo do biocombustível e ajudar a conter aumentos no custo do transporte.

De acordo com a CNA, o preço do petróleo Brent atingiu US$ 84 por barril, acumulando alta superior a 20% desde o fim de fevereiro. A entidade lembra que, na iminência da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o barril subiu 40%, refletindo em aumentos de 21% e 23% nos preços de distribuição e revenda do diesel, respectivamente. “Em antecipação aos eventuais impactos à população brasileira, o avanço da mistura de biodiesel representa medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressão sobre custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional”, justificou a confederação.

A CNA também ressalta que a implementação do B16 estava prevista para 1º de março, conforme cronograma previsto, mas não foi efetivada. “No novo quadro da geopolítica mundial, o avanço imediato para 17% (B17) surge como medida razoável para a realidade nacional”, reforça a entidade.

O diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, afirmou em entrevista ao Broadcast Agro que o impacto do conflito nos combustíveis é a maior preocupação do setor neste momento, especialmente durante a colheita da primeira safra e preparação para o plantio da segunda, quando o consumo de diesel nas operações agrícolas é mais intenso. "O preço do barril do petróleo tem aumentado bastante e recebemos relatos de produtores reportando aumento de R$ 1 no preço do diesel na bomba, o que vemos como um exagero. Portanto, pedimos de forma preventiva o B17 para evitar aumento maior no preço do diesel e coibir possíveis abusos identificados", explicou Lucchi.

No aspecto da oferta, Lucchi destacou que a safra de soja está em plena colheita, o que amplia o potencial de abastecimento das indústrias esmagadoras. “Estamos colhendo safra recorde, com preços de soja abaixo do oferecido desde a pandemia de covid-19, o que permite que o biodiesel seja competitivo tanto para evitar aumento de custo no transporte quanto para a produção”, apontou. Ele também destacou os efeitos de um possível aumento "exagerado" dos combustíveis, como a criação de demanda artificial e riscos de oscilação no abastecimento.

O percentual mínimo de biodiesel no diesel é definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que tem reunião prevista para a próxima semana, com possibilidade de inclusão do tema na pauta.