CRISE ENERGÉTICA GLOBAL

G7 avalia liberar reservas de petróleo após barril superar US$ 100 com guerra no Oriente Médio

Conflito entre EUA, Israel e Irã pressiona mercados e leva grupo a discutir ação emergencial para conter alta dos preços e riscos de desabastecimento.

Publicado em 09/03/2026 às 09:58
G7 discute liberação de reservas de petróleo após barril ultrapassar US$ 100 devido à guerra no Oriente Médio. © Sputnik / Ruslan Krivobok

O agravamento da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã fez com que o preço do barril de petróleo ultrapassasse US$ 100, provocando forte queda nas bolsas globais e levando o G7 a discutir a liberação de reservas estratégicas para tentar conter a crise de abastecimento e estabilizar os mercados diante do risco de novos choques de energia.

Os ministros das Finanças do G7 — formados por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido — se preparam para debater a liberação de reservas emergenciais de petróleo após a escalada do conflito aumentarem o preço do barril acima de US$ 100 (R$ 525,35) pela primeira vez desde 2022. A reunião, coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE), vai avaliar o impacto da guerra e possíveis medidas para estabilizar o mercado.

Segundo o Financial Times, a teleconferência está prevista para as 08h30 em Nova York (09h30 em Brasília), reunindo autoridades preocupadas com a alta dos preços e o risco de desabastecimento global. Três países do G7, incluindo os EUA, já apoiaram a liberação das reservas estratégicas mantidas pelos 32 membros da AIE.

Fontes do governo norte-americano decidiram adequada uma liberação conjunta entre 300 milhões e 400 milhões de barris, o que representa até 35% do estoque total de 1,2 bilhão de barris. O objetivo é conter a volatilidade causada pela guerra e evitar novos choques de oferta.

Na Europa, grupos de coordenação de petróleo e gás da União Europeia (UE) também se reuniram para monitorar o impacto do conflito. Os países do bloco são obrigados a manter reservas equivalentes a 90 dias de consumo, e a alta dos preços já pressionados pelo mercado de energia. O gás natural subiu 19% no Reino Unido e 16% na Europa continental.

De acordo com o The Guardian, a continuidade da violência no Oriente Médio derrubou bolsas na Ásia e na Europa, enquanto o petróleo Brent atingiu seu maior valor em quatro anos. O índice FTSE 100 caiu 1,9%, o Dax alemão recuperou quase 1% e o Stoxx Europe 600 perdeu todos os ganhos acumulados no ano.

O conflito já atingiu pelo menos cinco instalações de energia em Teerã e levou o Kuwait a reduzir preventivamente sua produção. O trecho de Ormuz, rota estratégica para onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, está praticamente fechado há uma semana, aumentando o temor de escassez global.

O Brent chegou a subir 29%, atingindo US$ 119,50 (R$ 627,77), antes de recuar para US$ 106,73 (R$ 560,73) após a notícia da reunião do G7. Enquanto Donald Trump classificou a alta do petróleo como um "preço pequeno a pagar" pela segurança global, o Irã anunciou que o barril pode ultrapassar US$ 200 (R$ 1.050,70) caso os ataques persistam.

Por Sputnik Brasil