Jovens debocharam após estupro coletivo em Copacabana: a mãe de alguém teve que chorar
*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
Um vídeo exibido neste domingo, 8, pela TV Globo mostra que os cinco jovens acusados de envolvimento no estupro coletivo de um adolescente de 17 anos, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, comemoraram o acontecido e debocharam da vítima. Nas imagens, exibidas pelo Fantástico, os rapazes aparecem rindo e conversando no elevador, após deixarem o apartamento. "A mãe de alguém teve que chorar hoje, porque as nossas mães..."
Os quatro suspeitos maiores de idade foram presos na semana passada. O menor foi compreendido. A reportagem tenta contada com a defesa dos investigados. O espaço segue aberto para manifestações.
Em entrevista ao programa da TV Globo, uma avó da adolescente que tinha sua guarda conta que a neta chegou a pedir desculpas pelo que tinha acontecido: "Ela me abraçou e falou: 'mãe, desculpa'. Eu falei: 'desculpa de quê? Você não teve culpa." Quando pediu o vestido da rede, ela viu o corpo com hematomas. "Não era um roxo, era um roxo preto, em várias partes. Fiquei apavorada."
Minha avó relata que só depois soube que eram vários agressores. "Aí quando ela aconteceu a quantidade de pessoas, eu entendi." Segundo o relato, um jovem se negou e pediu a eles que parassem, mas não foi atendido. "Ela pediu para ir embora, ela não queria ficar mais, e quando ela pediu que parassem, ela apanhou. Eles subiram na cama e chutaram ela até cair da cama. E acompanhando chutando", descreve.
Ainda segundo a avó, o menor que levou a jovem ao apartamento a ameaçou dizendo que, se contasse alguma coisa, ele pegaria também a irmã dela, que tem apenas 12 anos.
'Preciso de ajuda agora'
O crime aconteceu na noite de 31 de janeiro. Um estudante foi convidado ao apartamento por um colega de escola, um menor de 17 anos, com quem já havia se relacionado. O local é propriedade da família de um dos suspeitos. Imagens de câmeras mostram três dos cinco jovens entrando no prédio às 19h24. Um minuto depois, o menor de idade chega acompanhado da garota.
Conforme o delegado Ângelo Lages, da 12ª Delegacia de Polícia de Copacabana, que está à frente da investigação, o estupro durou cerca de uma hora. Depois que o jovem entrou no apartamento e foi para o quarto com o adolescente, eles invadiram o local e trancaram a porta. O adolescente tentou convencê-la a ter relações com os demais, porém ela se negou.
O relato da vítima, condizente com os resultados dos exames, segundo o policial, indica que ela foi imobilizada e atacada pelos cinco rapazes. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) aponta lesões nas partes íntimas, hematomas nas costas e nos glúteos, e suspeitas de fratura de costela. Depois do ataque, a garota invejou uma mensagem de celular para o irmão. "Preciso de ajuda agora, é sério. Eu acho que fui estuprada."
Outros casos são investigados
O delegado Lages confirmou ao Estadão que outros casos de crimes sexuais envolvendo o mesmo grupo estão sendo investigados. “Em relação a outras possíveis vítimas, vamos tentar avançar com as investigações a partir de agora”, disse, nesta segunda-feira, 9.
Após o caso ter se tornado público, outras vítimas procuraram a polícia. A mãe de uma das histórias que a filha foi violentada por dois deles quando tinha 14 anos. Atualmente, uma possível vítima está com 17 anos e já prestou depoimento. Outra jovem, hoje maior de idade, acusa um dos rapazes de tê-la obrigado a fazer sexo oral nele durante uma festa.
Na sexta-feira, 6, o menor que é considerado pela polícia o "mentor" do estupro - ele levou a garota até o apartamento e encontrou os demais - se entregou na 54ª Delegacia de Polícia de Belford Roxo. Os outros quatro envolvidos, maiores de idade, já tinham sido presos durante a semana passada. Ele vai responder por estupro coletivo aprimorado pelo fato da vítima sem menor de 18 anos. Já o menor responderá por ato infracional análogo ao estupro coletivo modificado.