DIPLOMACIA E SEGURANÇA

Vieira conversa com Rubio após EUA sinalizarem intenção de classificar facções como terrorismo

Telefonema entre chanceler brasileiro e secretário dos EUA ocorre após avanço de proposta americana que mira PCC e CV

Publicado em 09/03/2026 às 12:13
O ministro Mauro Vieira Lula Marques / Agência Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversaram por telefone para discutir a relação bilateral , após o governo americano sinalizar a intenção de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

A administração Trump retomou a discussão sobre a classificação de organizações terroristas, proposta já rejeitada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, com base na legislação nacional e internacional vigente.

O foco de Washington está nas principais facções com raízes no Brasil e atuação continental, além de conexões na Europa, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Segundo o portal UOL, divulgado neste domingo (8), a burocracia estatal americana já encaminhou documentos para que essas facções sejam designadas como grupos terroristas, decisão que pode ser formalizada em até duas semanas. O processo envolve diferentes agências, como os departamentos do Estado e do Tesouro.

O telefonema entre Vieira e Rubio ocorreu no fim da semana, após reunião de Trump com presidentes latino-americanos na Flórida, em que foram debatidas operações de combate ao crime organizado. O encontro, chamado Escudo das Américas, tratou de segurança pública, e Lula não foi convidado.

Durante uma conversa, foram envolvidos temas como cooperação judicial e o combate ao crime organizado, no contexto da preparação da visita de Lula a Trump, adiada devido à guerra no Irã.

Integrantes do governo brasileiro expressaram preocupação de que a classificação possa legitimar possíveis intervenções militares na América Latina, citando como exemplo a operação dos EUA para capturar o ditador Nicolás Maduro, na Venezuela, quando forças militares americanas atuaram sob o pretexto de combater cartéis de drogas.

Além disso, o argumento do governo brasileiro não há respaldo para a classificação, já que a lei de terrorismo vigente no País exige motivações de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião.

Diplomatas que acompanham o tema avaliam que o vazamento de informação e o avanço da pauta, principalmente em setores inferiores da burocracia americana, atendem ao lobby bolsonarista nos EUA, em um contexto de oposição entre os governos em ano eleitoral.

O Palácio do Planalto busca estabelecer canais de confiança com a Casa Branca, mas regularmente resistência política de membros do Departamento de Estado ligados a bolsonaristas, como o novo consultor de Políticas para o Brasil, Darren Beattie. Por isso, o governo brasileiro tem divulgado a divulgação nos contatos.

A discussão sobre a classificação do PCC e do CV como grupos terroristas ganhou força em 2023 e pautou debates no Congresso Nacional, com apoio de parlamentares de direita e oposição a Lula.

O Itamaraty não comentou sobre o telefonema. Até o fechamento desta matéria, o Departamento de Estado não havia respondido ao pedido de posicionamento.