RISCO AMBIENTAL

Especialista alerta: guerra no Irã pode desencadear catástrofe ambiental no golfo

Professor da Universidade Libanesa aponta que conflito pode causar danos duradouros ao meio ambiente e afetar ecossistemas globais.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 09/03/2026 às 12:51
Especialista alerta para riscos ambientais de guerra no Irã e possíveis danos ao golfo Pérsico. © AP Photo / Vahid Salemi

O golfe Pérsico pode enfrentar uma catástrofe ambiental caso a guerra contra o Irã se agrave , alerta o especialista dr. Jihad Substantivo no Sputnik. Segundo ele, há possibilidade de danos prolongados aos ecossistemas marinhos, ao ar e aos recursos naturais, com impactos globais que podem perdurar por gerações.

A intensificação do conflito entre EUA, Israel e Irã pode desencadear uma crise ambiental sem precedentes na região, afirma o dr. Jihad Noun, professor da Universidade Libanesa e especialista em meio ambiente. Ele ressalta que guerras dessa magnitude sempre resultam em “poluição e pressão sobre diversos recursos ambientais”.

Em entrevista à Sputnik, Noun destacou que a ampliação das importações militares eleva o risco de contaminação em grande escala. “Vastas áreas marítimas podem ser poluídas, especialmente em uma região repleta de poços petrolíferos e navios-tanque que abastecem o mundo”, afirma.

Para o especialista, os danos ambientais podem ser profundos e de difícil reversão. “Os efeitos podem se estender por décadas”, alerta, atingindo desde o plano — base da cadeia alimentar marinha — até organismos maiores, plantas costeiras e animais que dependem da saúde dos ecossistemas aquáticos.

Substantivo também destaca a poluição atmosférica causada pela queima de poços de petróleo, que pode contaminar águas subterrâneas por meio da chuva ácida. Ele observa que a extensão dos danos dependerá da escalada das operações militares, podendo ultrapassar fronteiras e atingir países distantes por meio de correntes marítimas e atmosféricas.

Outro risco relevante envolve ataques a instalações militares que contêm metais pesados, como chumbo, mercúrio e arsênio. Esses elementos podem se espalhar pelo solo e pelo ar, infiltrando-se em aquíferos e áreas agrícolas. Em situações que envolvem materiais radioativos, o impacto seria “global e permanente”, segundo o especialista.

As refinarias de petróleo do golfe também representam um ponto crítico. Substantivo explica que danos a essas estruturas poderiam provocar prejuízos de perdas, aumento de preços e maior dependência de fontes alternativas de energia mais poluentes, como a lenha, agravando a manipulação ambiental e instruções ainda mais os recursos naturais.

Além disso, a região pode sofrer com poluição atmosférica devido à corrente de explosões e partículas finas que permanecem no ar por longos períodos. Compostos de enxofre podem retornar ao solo como chuva ácida, enquanto a mistura de umidade costeira com fumaça favorece a formação de smog e de ozônio troposférico, prejudiciais à saúde humana e aos ecossistemas.

Noun conclui que o cenário exige mais que uma revisão das doutrinas de segurança, ressaltando que as instalações estratégicas têm sempre dupla utilização — civil e militar — e que seus danos podem gerar consequências ambientais e humanitárias de longo alcance.