Advogado relata ter sido alvo de xingamentos por pai de acusado de estupro coletivo
Rodrigo Mondego, defensor da vítima, afirma que ataques de José Carlos Simonin podem configurar coação no processo
Alerta: o texto a seguir aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Caso você se identifique ou conheça alguém que esteja passando por esse tipo de situação, ligue 180 e denuncie.
O advogado Rodrigo Mondego, representante da adolescente vítima de estupro coletivo em Copacabana, denunciou em suas redes sociais ter sido alvo de agressões verbais por parte de José Carlos Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança do Rio de Janeiro. Simonin é pai de um dos acusados do crime, atualmente preso.
Segundo Mondego, José Carlos enviou mensagens ofensivas, incluindo: "Vai trabalhar pra pagar as suas contas, vagabundo". O advogado avalia ingressar com representação formal contra o ex-subsecretário.
José Carlos é pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, um dos réus pelo estupro coletivo. O Estadão tenta contato com o ex-subsecretário e sua defesa. A reportagem também procurou o advogado de Vitor Hugo e aguarda retorno. Anteriormente, a defesa afirmou que Vitor Hugo é inocente.
Em entrevista ao Estadão, Mondego relatou que representa a família da vítima e que Simonin já o seguia nas redes sociais. "Ele vinha me seguindo desde que assumi o caso. Após reportagens exibidas neste domingo (8), resolveu me atacar. Respondi ao ataque, mas não foi apenas o xingamento; houve clara intenção de intimidar a defesa da vítima, o que pode ser considerado coação no curso do processo", afirmou.
Na sua página no Instagram, Mondego compartilhou a mensagem atribuída a José Carlos Simonin, na qual o ex-subsecretário diz que o advogado "está querendo cinco minutos de fama" e o manda "trabalhar". Em resposta, Mondego declarou que trabalha para que o filho de José Carlos permaneça preso e responda judicialmente pelo estupro, ressaltando que cada um ocupa o lugar que escolheu e que ele está ao lado da vítima. "A Justiça seguirá fazendo o resto", concluiu.
O advogado aponta possível infração ao artigo 344 do Código Penal, que trata de violência ou ameaça contra autoridade, parte, testemunha, perito ou intérprete, visando favorecer interesse próprio ou alheio em processo judicial. Caso comprovado, o crime prevê reclusão de 1 a 4 anos. "Neste momento, nossa prioridade é buscar apoio psicossocial para a vítima e responsabilizar os autores do crime. Em outro momento, analisaremos as medidas cabíveis", acrescentou.
Segundo a denúncia, a adolescente foi atraída pelo ex-namorado, menor de idade, ao apartamento de Vitor Hugo em Copacabana, onde estavam outros três adultos. Os quatro maiores de idade, incluindo Vitor Hugo, teriam abusado da vítima e respondem por estupro coletivo qualificado. O menor responde por atos infracionais análogos.
José Carlos Simonin ocupava o cargo de subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. No último dia 4, após o caso vir à tona, ele foi exonerado pelo governador Cláudio Castro (PL). No mesmo dia, Vitor Hugo, que estava foragido, se entregou à polícia.