Eslováquia ameaça adotar 'medidas extremas' contra a Ucrânia após corte de energia
Primeiro-ministro eslovaco cobra retomada do fornecimento de petróleo e gás via Ucrânia e aciona Comissão Europeia
O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, declarou nesta segunda-feira (9) que o país está preparado para adotar medidas extremas, porém dentro da legalidade, contra o governo de Kiev, com o objetivo de garantir a retomada do fornecimento de petróleo e gás através do território ucraniano.
"Apresentamos uma ação contra a Comissão Europeia, exigimos legalmente a restauração do fluxo de gás e petróleo para a Eslováquia, ao qual, segundo o bloco europeu, temos direito até o final de 2027", publicou Fico em suas redes sociais.
O premiê eslovaco criticou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chamando-o de "líder desconcertado" e acusando-o de recorrer à chantagem contra Bratislava e Budapeste. Fico afirmou que seu governo responderá com "medidas extremas legítimas" se a situação não for resolvida.
As relações entre Hungria e Ucrânia, já tensas desde o início da guerra em larga escala, se agravaram nas últimas semanas após o fechamento do oleoduto Druzhba.
Em 27 de janeiro, a Ucrânia interrompeu o fluxo do oleoduto, que transporta petróleo russo pelo seu território para a Eslováquia e a Hungria, ambos membros da União Europeia. Autoridades ucranianas alegam que o duto foi danificado por um ataque russo.
Budapeste, que precisou liberar 250 mil toneladas de petróleo de suas reservas estratégicas, acusa Kiev de manter o Druzhba fechado por razões políticas, visando criar uma crise energética que poderia impactar as eleições parlamentares húngaras, marcadas para 12 de abril.
Gergely Gulyás, chefe do gabinete do primeiro-ministro húngaro, declarou que, desde 6 de fevereiro, não existem mais obstáculos técnicos para a reabertura do oleoduto.
Em 18 de fevereiro, a Hungria suspendeu o fornecimento de diesel à Ucrânia e, dois dias depois, bloqueou o vigésimo pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia, bem como um crédito comunitário de 90 bilhões de euros (R$ 545 bilhões) destinado a Kiev, até que o transporte de petróleo russo pelo Druzhba seja normalizado.
Por Sputnik Brasil