CRISE ENERGÉTICA

Eslováquia ameaça adotar 'medidas extremas' contra a Ucrânia após corte de energia

Primeiro-ministro eslovaco cobra retomada do fornecimento de petróleo e gás via Ucrânia e aciona Comissão Europeia

Publicado em 10/03/2026 às 01:19
Primeiro-ministro da Eslováquia ameaça medidas extremas após corte de petróleo e gás via Ucrânia. © Sputnik / U. Filimonov

O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, declarou nesta segunda-feira (9) que o país está preparado para adotar medidas extremas, porém dentro da legalidade, contra o governo de Kiev, com o objetivo de garantir a retomada do fornecimento de petróleo e gás através do território ucraniano.

"Apresentamos uma ação contra a Comissão Europeia, exigimos legalmente a restauração do fluxo de gás e petróleo para a Eslováquia, ao qual, segundo o bloco europeu, temos direito até o final de 2027", publicou Fico em suas redes sociais.

O premiê eslovaco criticou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chamando-o de "líder desconcertado" e acusando-o de recorrer à chantagem contra Bratislava e Budapeste. Fico afirmou que seu governo responderá com "medidas extremas legítimas" se a situação não for resolvida.

As relações entre Hungria e Ucrânia, já tensas desde o início da guerra em larga escala, se agravaram nas últimas semanas após o fechamento do oleoduto Druzhba.

Em 27 de janeiro, a Ucrânia interrompeu o fluxo do oleoduto, que transporta petróleo russo pelo seu território para a Eslováquia e a Hungria, ambos membros da União Europeia. Autoridades ucranianas alegam que o duto foi danificado por um ataque russo.

Budapeste, que precisou liberar 250 mil toneladas de petróleo de suas reservas estratégicas, acusa Kiev de manter o Druzhba fechado por razões políticas, visando criar uma crise energética que poderia impactar as eleições parlamentares húngaras, marcadas para 12 de abril.

Gergely Gulyás, chefe do gabinete do primeiro-ministro húngaro, declarou que, desde 6 de fevereiro, não existem mais obstáculos técnicos para a reabertura do oleoduto.

Em 18 de fevereiro, a Hungria suspendeu o fornecimento de diesel à Ucrânia e, dois dias depois, bloqueou o vigésimo pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia, bem como um crédito comunitário de 90 bilhões de euros (R$ 545 bilhões) destinado a Kiev, até que o transporte de petróleo russo pelo Druzhba seja normalizado.

Por Sputnik Brasil