ELEIÇÕES NA COLÔMBIA

Petro conquista maior bancada no Congresso colombiano após eleições legislativas

Pacto Histórico, liderado pelo presidente Gustavo Petro, garante maioria relativa na Câmara e no Senado, mas fragmentação exige novas alianças para governabilidade.

Publicado em 10/03/2026 às 07:27
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A esquerda colombiana, sob a liderança do presidente Gustavo Petro, saiu vitoriosa nas eleições legislativas realizadas no domingo (8), conquistando uma bancada maior tanto na Câmara quanto no Senado. O resultado fortalece o partido de Petro, o Pacto Histórico, para a disputa presidencial marcada para 31 de maio, em um cenário de acirramento com o campo conservador.

O novo Congresso, que ocorrerá em 20 de julho, será marcado pela fragmentação. O Pacto Histórico elegeu 25 dos 103 senadores e 40 dos 188 deputados, segundas projeções preliminares – o resultado oficial ainda não havia sido consolidado até ontem. Essa divisão indica que o partido precisará formar alianças para garantir a maioria e viabilizar projetos.

As eleições legislativas são tradicionalmente uma convenção para a corrida presidencial na Colômbia. Os principais candidatos são o senador Iván Cepeda, do partido de Petro, e o advogado de direita Abelardo de la Espriella, o admirador declarado de Nayib Bukele e Donald Trump.

O desempenho nas urnas também influenciou os últimos cinco meses do mandato do Petro, que está impedido de concorrer à reeleição. Cepeda pretende retomar as reformas que o atual presidente não conseguiu aprovar, após perder maioria no Congresso, como a mudança do sistema de saúde e uma reforma tributária para combater o déficit fiscal.

Essas propostas foram vetadas pelos congressistas, levando Petro a convocar manifestações populares e a fazer discursos incisivos contra o Congresso, instituição que tem perdido prestígio devido a sucessivos escândalos de corrupção.

Apesar das dificuldades, o presidente parece ter recuperado parte do apoio popular após esforços recentes com Donald Trump, envolvendo políticas de deportação, ameaças de análises e negociações de acusações sobre o narcotráfico.

Disputa acirrada

“Hoje começa o nosso segundo tempo com uma bancada forte”, celebrou Iván Cepeda. Já Abelardo de la Espriella lamentou o avanço da esquerda: “Isso é muito grave”, afirmou.

Pesquisas indicam que nem Cepeda nem De la Espriella deveriam vencer no primeiro turno, o que levaria a decisão para o segundo turno, agendado para 21 de junho. Ambos ainda foram questionados por Paloma Valencia, a candidata uribista ligada ao ex-presidente Álvaro Uribe, que tentou retornar ao Senado pelo Centro Democrático, mas não foi eleito. Uribe voltou ao cenário político após a revogação, em outubro, de suas declarações a 12 anos de prisão domiciliar por suborno e fraude processual.

Ataques

O contexto eleitoral colombiano segue marcado pelo histórico de conflito armado, que há cinco décadas influencia a política do país. Durante a apuração, dois ataques de guerrilheiros no sul do país foram registrados, sem vítimas. Antes das eleições, os observadores denunciaram episódios de violência contra líderes políticos, incluindo o assassinato, no ano passado, do candidato presidencial de direita Miguel Uribe Turbay, neto do ex-presidente Julio Turbay (1978-1982).

As milícias envolvidas nesses crimes ganharam força diante do fracasso das negociações de paz e do aumento do consumo de cocaína nos EUA e na Europa. Com o desmantelamento dos grandes cartéis de Cali e Medellín, o crime organizado se fragmentou, tornando-se mais violento e difícil de combater.

Guerrilheiras

Outro fator que complica o cenário é a atuação de guerrilhas de extrema esquerda, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), que ao longo do tempo abandonaram seus objetivos políticos e se transformaram em organizações criminosas.

Com agências internacionais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.