AGRONEGÓCIO

Aprosoja Brasil alerta para risco na safra devido à escassez de diesel

Entidade aponta que interrupção no fornecimento de combustível pode comprometer colheita e logística no campo

Publicado em 10/03/2026 às 08:42
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Aprosoja Brasil manifestou preocupação com a interrupção não fornecida de diesel nas propriedades rurais no meio da colheita de soja e ao plantio do milho na segunda safra. Em nota, a entidade destacou que a situação ocorre em um momento crítico do calendário agrícola, podendo comprometer operações no campo, impor custos e afetar a logística de escoamento da produção.

O alerta foi emitido após relatos de cancelamento de entregas de combustíveis para produções rurais no Rio Grande do Sul desde a última sexta-feira (6). A Federação da Agricultura do Estado (Farsul) e a Federação das Associações de Arrozeiros (Federarroz) já denunciaram o problema no fim de semana, justamente em período de forte demanda por diesel para o funcionamento de máquinas agrícolas e transporte da produção.

No panorama de fundo, a escalada do esforço no Oriente Médio elevou o preço do petróleo acima dos US$ 100 o barril, ampliando a defasagem do diesel vendido pela Petrobras no mercado interno para um recorde de 85%. Com o recebimento de que a estatal não repasse os preços internacionais, os agentes do mercado suspenderam imediatamente, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Os estoques atuais garantem o abastecimento por cerca de 15 dias, de acordo com a entidade.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que recebeu relatos de dificuldades pontuais na aquisição de diesel no Estado, mas afirmou que o Rio Grande do Sul possui estoques suficientes para o abastecimento regular. “Não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem uma eventual recusa no fornecida do produto”, disse a ANP, acrescentando que equipes técnicas realizaram verificações e que distribuidoras serão notificadas a prestar esclarecimentos.

Para a Aprosoja Brasil, a restrição de oferta pode abrir espaço para práticas abusivas. “A entidade alerta para o risco de oportunismo por parte de fornecedores que, diante da escassez, aumentam preços de forma abusiva”, afirmou a associação, ressaltando que esse movimento pressiona os custos de produção, encarece o transporte e pode resultar em inflação de alimentos. A entidade também destacou a fragilidade estrutural do setor: apesar de o Brasil ser grande exportador de petróleo bruto, o mercado ainda depende de para suprir parte da demanda de diesel.

Diante do cenário, a Aprosoja Brasil defende a aceleração da agenda de biocombustíveis. “É urgente avançar no aumento da mistura de biodiesel, diminuindo a dependência externa, e ampliar o uso do etanol na matriz energética, inclusive no transporte de cargas e em máquinas agrícolas”, afirmou. A entidade também pediu “ação imediata das autoridades para restabelecer o abastecimento, coibir práticas abusivas e fortalecer a segurança energética do agronegócio brasileiro”.