OPERAÇÃO ANOMALIA

PF prende policiais civis do Rio acusados de extorquir integrantes do Comando Vermelho

Três policiais civis, incluindo um delegado, são investigados por corrupção e lavagem de dinheiro

Publicado em 10/03/2026 às 08:57
PF prende policiais civis do Rio acusados de extorquir integrantes do Comando Vermelho

Policiais federais prenderam na manhã desta terça-feira (10) três policiais civis do Rio de Janeiro, entre eles um delegado titular de uma delegacia da capital.

O grupo é investigado por utilizar uma estrutura do Estado para extorquir membros do Comando Vermelho, a maior facção criminosa do estado, além de fraude e lavagem de dinheiro.

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Também foram cumpridos três mandatos de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Esta ação integra mais uma fase da Operação Anomalia, que busca desarticular um núcleo criminoso formado por policiais civis do Rio e operadores financeiros.

“Além das prisões e buscas, a Suprema Corte deferiu a execução de medidas cautelares focadas na descapitalização do grupo, incluindo o afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados, a suspensão do exercício de atividades empresariais das pessoas jurídicas utilizadas nas práticas criminosas e o bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos ligados aos alvos”, informou a Polícia Federal.

Modus operandi

As investigações revelaram um esquema de violação liderado por um delegado e um policial civil. “De forma reiterada, os servidores emitiam intimações com o propósito exclusivo de coagir e pressionar lideranças do tráfico no Rio de Janeiro, exigindo o pagamento de propinas válidas para omissão em atos de ofício”, detalhou a PF.

Apurou-se ainda que as negociações ilícitas envolviam cobranças incisivas e prazos definidos. Para operacionalizar a coleta de vantagens indevidas e manter distância das lideranças da facção, os policiais contavam com o apoio direto de dois intermediários.

A inteligência financeira da PF prevê pagamentos patrimoniais milionários e incompatíveis com os rendimentos lícitos dos policiais investigados.

“Para promover a ocultação e dissimulação do capital ilícito, a estrutura criminosa utilizava uma rede de empresas de fachada registradas em nome de familiares, agora alvos de suspensão judicial”, acrescentou a PF.

Os investigados responderão por crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa, além de lavagem de dinheiro.