CRISE NO SETOR AGRÍCOLA

Alta nos preços de fertilizantes leva agricultores dos EUA a pedir intervenção do governo

Paralisação no Estreito de Ormuz agrava custos e ameaça suprimento às vésperas do plantio no Cinturão do Milho

Publicado em 10/03/2026 às 09:59
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A elevação dos preços dos fertilizantes nos Estados Unidos, intensificada pela paralisação do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, está pressionando o orçamento dos agricultores e motivando pedidos crescentes de intervenção do governo federal. Representantes do setor agrícola alertam que a situação ameaça a oferta do insumo justamente às vésperas do início da temporada de plantio no Cinturão do Milho, prevista para o próximo mês.

Em carta enviada ao presidente Donald Trump e divulgada nesta segunda-feira (9) pela American Farm Bureau Federation (AFBF), o presidente da entidade, Zippy Duvall, sugeriu uma série de medidas para aliviar o impacto do aumento de custos sobre os produtores. Entre as propostas está o uso da Marinha dos EUA para garantir a segurança e a regularidade do transporte marítimo de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz, um dos principais corredores logísticos do comércio global desses insumos.

Duvall também defendeu a suspensão de tarifas e outras barreiras comerciais que dificultam a importação de fertilizantes. Apesar de ingredientes como ureia e nitrato de amônio estarem, em grande parte, isentos das tarifas impostas pelo governo Trump, seguem em vigor desde 2021 medidas antidumping e compensatórias para algumas, incluindo produtos de Marrocos e da Rússia.

Grandes empresas do setor também se mobilizam. Na semana passada, um porta-voz da Nutrien informou que a companhia solicita a retirada dessas tarifas como forma de aliviar a pressão sobre os agricultores.

Dados recentes mostram que os preços dos fertilizantes já vinham subindo e acelerando com a crise logística. Segundo análise da consultoria DTN, o valor da uréia atingiu US$ 611 por tonelada no fim de fevereiro, alta de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. O potencial registrou aumento de 9% na comparação anual, enquanto a amônia anidra subiu 15%.

Além do aumento dos custos, os produtores relatam dificuldades para garantir o fornecimento do consumo. Harry Ott, presidente do Farm Bureau da Carolina do Sul e produtor de algodão, milho e amendoim no condado de Calhoun, afirmou que ainda não conseguiu comprar todo o fertilizante necessário para a próxima safra. Segundo ele, seu fornecedor local se decidiu a vender volumes adicionais até que haja mais claro sobre a crise no Estreito de Ormuz e a evolução dos preços. Ele acrescentou que alguns distribuidores mantêm estoques, mas evitam comercializá-los devido à incerteza do mercado.

Diante desse cenário, a AFBF informou que mantém diálogo com a Casa Branca e com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para discutir medidas de mitigação. Entre as alternativas avaliadas está a criação de novos programas de ajuda financeira aos produtores, semelhantes às avaliações em crises anteriores.

O economista-chefe da entidade, John Newton, afirmou que a discussão inclui tanto soluções logísticas — como a escolta militar para navios cargueiros que cruzam o Estreito de Ormuz — quanto medidas comerciais e financeiras. O USDA não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.

Fonte: Dow Jones Newswires.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.