POLÍTICA ECONÔMICA

Haddad defende cautela em decisões sobre juros diante da alta do petróleo

Ministro da Fazenda alerta para riscos de decisões precipitadas e confirma saída do cargo na próxima semana

Publicado em 10/03/2026 às 10:40
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (10) que não se pode tomar decisões precipitadas sobre a taxa básica de juros com base apenas na alta dos preços do petróleo, impulsionada pelo conflito no Irã. Segundo ele, o cenário atual lembra o episódio do "tarifaço" nos Estados Unidos.

"Nós não podemos correr o risco de tomar decisões açodadas. Você lembra no caso do 'tarifaço'? Houve um pânico gerado pela extrema-direita de que aquilo ia quebrar a economia brasileira, e nada disso aconteceu", declarou Haddad.

O ministro destacou ainda a volatilidade do preço do petróleo: "Você veja como o preço do petróleo está alucinando dia a dia. Não se pode, com base nisso, já tomar decisões estruturais que podem comprometer o país. Precisamos observar, estabelecer cenários, como fizemos no caso do 'tarifaço'."

Haddad reforçou que o governo deve desenhar cenários possíveis e oferecer alternativas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Entendemos que podemos estar diante de um fenômeno com consequências contornáveis de maneira sóbria, sem gerar estresse, caminhando na direção que pretendemos", afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de um corte menor na taxa básica de juros devido ao cenário externo, Haddad ressaltou a autonomia do Banco Central: "O Banco Central é autônomo, tanto do governo quanto do mercado. Ele, com base nos dados, vai verificar a conveniência de um movimento ou outro. Isso é atribuição dos diretores que estão lá, indicados para isso, com essa missão", disse. "O Banco Central é independente porque tem uma metodologia de trabalho própria", completou o ministro.

Saída do Ministério da Fazenda

Haddad confirmou que deixará o Ministério da Fazenda na próxima semana, mas não confirmou candidatura ao governo de São Paulo. Segundo ele, ainda há conversas pendentes com o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra do Planejamento, Simone Tebet.

"Devo deixar o governo na semana que vem. Estamos conversando sobre candidatura. Não está batido o martelo ainda", afirmou. "Tenho conversado com o presidente, alinhando também a questão do grupo que vai compor a chapa. Estou vendo tudo isso com os devidos cuidados", completou.

Durigan no comando da Pasta

O ministro confirmou que o atual secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, deve assumir o comando do Ministério, embora a decisão final seja do presidente da República. "Acredito que sim. O Dario tem uma relação muito boa com o presidente, muita confiança, e domina o Ministério há muitos anos. É um grande gestor público", avaliou Haddad.

Eleições em SP

Mesmo sem confirmar candidatura, Haddad comentou que as eleições em São Paulo são sempre desafiadoras para candidatos progressistas, mas acredita que o nome escolhido terá boas chances contra Tarcísio de Freitas.

"É sempre desafiador para o campo progressista. O importante é qualificar o debate e elevar o nível das propostas, sem zona de conforto para situação ou oposição. Assim que tivermos um candidato a governador, acredito que teremos grandes chances", concluiu.

Ele acrescentou que sua saída da Pasta já havia sido anunciada há dois meses, mas só agora está sendo concretizada.