Crise energética é principal fator para fim de conflito iraniano, avalia especialista
Dependência global do petróleo e temor de colapso econômico pressionam por solução pacífica no Oriente Médio, aponta analista palestino.
O temor de um colapso econômico global pode ser um dos principais fatores para encerrar o conflito no Oriente Médio, especialmente devido à forte dependência da economia mundial em relação à energia e ao petróleo. A avaliação é do especialista em relações internacionais da Palestina, Nidal Rabah, em entrevista à Sputnik.
Segundo Rabah, aumentos expressivos nos preços da energia devem levar as populações a pressionar seus governos por uma solução pacífica, já que o custo de vida elevado afeta principalmente os cidadãos comuns.
Nesse cenário, a Rússia tem desempenhado papel relevante ao buscar resolver o conflito por meio do soft power, utilizando a economia global como ferramenta central na gestão de crises internacionais.
"A Rússia está enviando um sinal aos Estados Unidos de que o sistema internacional precisa de clareza nas regras para administrar conflitos abertos, e não de incerteza estratégica", afirmou o especialista.
Para ele, essa mensagem aponta para uma transição do mundo para uma "economia geopolítica", superando a lógica de um sistema focado apenas nos mercados de energia e petróleo.
O especialista também destacou que a Rússia tenta conter a "loucura global" no conflito do Oriente Médio, enquanto outras forças internacionais intensificam a pressão para a continuidade da guerra.
Rabah observou ainda que a Europa está dividida: um grupo defende a escalada e a manutenção do conflito, mesmo diante dos altos custos econômicos, militares e políticos, enquanto outro setor prega racionalidade e o retorno à situação anterior à operação militar russa na Ucrânia.
"Os planos ocidentais para acabar com a dependência da energia russa falharam, e o petróleo russo se tornou a única saída", ressaltou Nidal Rabah.
O especialista concluiu alertando que a aplicação seletiva do direito internacional, aliada à perda de credibilidade provocada por sanções unilaterais e padrões duplos nos conflitos internacionais, ameaça o futuro do sistema internacional.
O conflito no Oriente Médio, desencadeado após ataques israelenses e norte-americanos a alvos no Irã, já impactou o comércio de petróleo na região ao afetar rotas marítimas estratégicas, como o estreito de Ormuz.
Diante das tensões, a estatal Saudi Aramco, da Arábia Saudita, iniciou a redução da produção em dois campos petrolíferos, enquanto outros produtores vizinhos também adotam medidas para proteger suas instalações energéticas diante do aumento dos riscos.
Por Sputnik Brasil