CRISE BANCÁRIA

Governo do DF avalia empréstimo de R$ 3,3 bi ao FGC para socorrer BRB

Plano inclui uso de imóveis do GDF, venda de ativos e busca por alternativas para reforçar capital do Banco de Brasília

Publicado em 10/03/2026 às 13:43
Governo do DF avalia empréstimo de R$ 3,3 bi ao FGC para socorrer BRB

O Governo do Distrito Federal (GDF) está disponível para solicitar um empréstimo de R$ 3,3 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como uma das alternativas para socorrer o Banco de Brasília (BRB). A medida faz parte de um conjunto de opções em análise pelo Executivo para fortalecer o capital do banco público, sendo considerado apenas em última instância, devido ao pagamento de juros.

O BRB enfrenta o desafio de publicar seu balanço referente ao terceiro e quarto trimestres de 2025 até 31 de março, destacando as perdas decorrentes do envolvimento com o Banco Master. A nova gestão do banco, porém, pretende apresentar soluções para o problema já neste balanço.

Entre as estratégias, o comando do BRB planeja solicitar o empréstimo ao FGC enquanto prepara o lançamento de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII), composto por novos imóveis do governo distrital aprovados em projeto de lei na semana passada. A expectativa é que esses imóveis possam injetar até R$ 6,6 bilhões no patrimônio do banco.

O plano também inclui o uso de imóveis como garantia para empréstimos, não apenas junto ao FGC, mas também em negociação com um sindicato de bancos, além da possível venda da BRB Financeira. Paralelamente, o BRB busca vender os ativos do Banco Master presentes em seu balanço.

Segundo apuração do Estadão, a intenção do BRB é estruturar um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) com os ativos do Banco Master. O banco público tentou vender essa carteira para instituições privadas, mas não obteve sucesso devido ao valor oferecido pelo mercado, considerado baixo. A estratégia, portanto, é aguardar a valorização desses ativos antes de efetuar a venda.

O Banco de Brasília adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes do Master, episódio que resultou na Operação Compliance Zero e na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. Esses créditos de difícil recuperação foram trocados por outros ativos, cuja precificação e venda ainda são incertas.

O BRB já iniciou negócios com esses ativos com outros bancos, mas o deságio solicitado foi considerado excessivo pelo diretório. A avaliação interna é de que vale mais a pena aguardar condições mais desenvolvidas para a venda.

O Banco Central, segundo o Estadão, pressionou para que o BRB apresente seu balanço já com a solução de aporte do acionista controlador, sob risco de aplicação da resolução 4019, que representa uma espécie de advertência formal à instituição.