ABASTECIMENTO EM ALERTA

Petrobras limita retirada de diesel com sistema de 'cota-dia' para evitar formação de estoques

Medida busca evitar corrida por diesel diante da defasagem de preços e risco de desabastecimento após suspensão de importações.

Publicado em 10/03/2026 às 13:50
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Petrobras passou a adotar o sistema de “cota-dia” para o abastecimento de diesel, fracionando o volume mensal contratado pelas distribuidoras em remessas diárias. O objetivo é evitar que empresas antecipem retiradas e formem estoques maiores às vésperas de um reajuste de preços provável, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O recente aumento do preço do diesel, provocado pela guerra no Oriente Médio, levou à suspensão das mesmas do produto e elevou o risco de desabastecimento no país.

Distribuidores compartilham a medida um tipo de racionamento. O procedimento é comum em cenários de escassez e foi adotado após a disparada internacional do petróleo e a percepção de que grandes consumidores corriam para encher tanques enquanto o preço interno segue defasado.

No fechamento do mercado de petróleo na segunda-feira, 10, o diesel vendido no Brasil apresentou uma defasagem de 60% em relação ao preço internacional, o que permitiria à Petrobras elevar o valor do combustível em até R$ 1,94 por litro.

Conforme fontes do setor, o cobre estatal atualmente cerca de 70% da demanda nacional de diesel. O restante é suprido pelos importadores, que suspenderam as compras devido à diferença entre os preços externos e internos.

“Na prática, a Petrobras está fazendo um tipo de racionamento diante do risco de crise”, afirmou um executivo de distribuidora, sob anonimato. Com estoques privados estimados para, no máximo, 15 dias, o risco de falta de diesel começa a se manifestar nas regiões mais dependentes de volumes estrangeiros, como Nordeste e Rio Grande do Sul.

Refinarias privadas, como a Rema, no Amazonas, e a Mataripe, na Bahia, já repassaram sucessivos aumentos, mas a Petrobras mantém os preços congelados. Executivos e analistas defendem um ajuste imediato para restabelecer a atratividade das atuais e evitar problemas de fornecimento. Caso o impasse persista, alertamos que o racionamento informal tende a se intensificar e pode chegar ao consumidor final.

TRRs já impacto

As empresas autorizadas a comprar combustível a granel e revender diretamente ao consumidor final, conhecidas como TRRs (Transportador-Revendedor-Retalhista), que abastecem fazendas, indústrias, construtoras e transportadoras, já relatam dificuldades para encontrar o produto no mercado.

"O setor já sentiu o problema e a orientação é fracionar as entregas para não deixar nenhum cliente sem produto regiões. As com forte atividade agropecuária acabam sentindo primeiro. Vale ressaltar que o TRR é abastecido pelas distribuidoras", informou a assessoria do segmento, destacando que o problema está bem distribuído, mas o primeiro estado a registrador queixas mais intensas foi o Rio Grande do Sul.

Na segunda-feira, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou ter recebido relatos sobre dificuldades pontuais de aquisição de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul. Segundo a agência, porém, a produção e a entrega do combustível seguem instruções pelo principal fornecedor da região, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras.

“Cabe destacar que o Rio Grande do Sul é um estado que produz mais diesel do que consome, está com nível de estoque regular e não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem eventual recusa no fornecimento do produto”, explicou a ANP. Procurada, a Petrobras não havia se manifestado até o fechamento desta nota.