Padilha alerta sobre risco de alta nos remédios com guerra no Oriente Médio e reforça soberania na saúde
Ministro destaca preocupação com cadeia global de insumos farmacêuticos e defende produção nacional para reduzir vulnerabilidade.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, alertou nesta terça-feira (10) que “não existe guerra que faça bem para ninguém”. A declaração foi feita em São Paulo, durante evento ao lado da ministra da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta.
Padilha destacou que o conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, pode impactar diretamente os custos de medicamentos no Brasil, devido aos efeitos na cadeia global de produção e distribuição de insumos farmacêuticos.
Segundo o ministro, muitos medicamentos fabricados no país dependem de princípios ativos importados, principalmente da Índia, e parte da logística passa por aeroportos da região do Oriente Médio — o que pode exigir mudanças de rota e elevar os finais.
"Sobretudo para a área da saúde. Não existe guerra que faça bem pra saúde. Nós estamos monitorando, na área da saúde, quais são os impactos dessa guerra na parte logística de saúde", afirmou Padilha ao ser questionado por jornalistas sobre possíveis reflexos do conflito para os insumos médicos no Brasil.
Como resposta à vulnerabilidade geopolítica, Padilha defendeu o fortalecimento da produção nacional. De acordo com o Ministério da Saúde, já foram investidos mais de R$ 5,6 bilhões desde 2023 para ampliar a fabricação de medicamentos oncológicos e para doenças raras e autoimunes no Brasil.
No mesmo evento, Brasil e Angola formalizaram um acordo internacional de cooperação para fortalecer a saúde pública angolana. O encontro ocorreu no Teatro da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
O principal objetivo do acordo é transferir a expertise do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, com iniciativas voltadas à formação de profissionais e à ampliação do acesso da população angolana ao sistema de saúde.
O programa é coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), em parceria com o Ministério da Saúde, o Ministério da Educação e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). A meta é qualificar 38 mil profissionais das 17 províncias angolanas até 2027, por meio de modalidades como bolsa, doutorado, mestrado, especialização e estágio complementar em instituições brasileiras.
Por Sputinik Brasil