Operação da PF desarticula rede internacional de tráfico de mulheres e apreende R$ 4,7 milhões
Ação prendeu líder do grupo em São Bernardo do Campo e identificou vítimas aliciadas para exploração sexual na Europa
Alerta: O texto a seguir aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém nessa situação, ligue 180 e denuncie.
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (10), uma operação para desarticular uma organização criminosa suspeita de aliciar e enviar mulheres brasileiras para exploração sexual na Europa. Uma mulher, apontada como líder do grupo transnacional, foi presa em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, durante a Operação New Girl. Foram apreendidos R$ 4,7 milhões em bens dos envolvidos.
A identidade da suspeita não foi divulgada, impossibilitando o contato com sua defesa.
Além do mandado de prisão, a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de São Paulo. As medidas visam reunir provas, interromper a atuação da rede e desarticular sua estrutura financeira.
Entre os bens sequestrados estão valores em contas bancárias, criptomoedas, veículos, imóveis e outros ativos, totalizando aproximadamente R$ 4,7 milhões.
De acordo com a PF, as investigações começaram após o relato de uma vítima que, ao viajar para o exterior pelo esquema, sofreu violência e passou a receber ameaças do grupo. A partir de seu depoimento, os agentes identificaram outras mulheres recrutadas e submetidas a práticas semelhantes de exploração.
A quadrilha utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para aliciar mulheres, oferecendo promessas de ganhos elevados, passagens financiadas e hospedagem. Ao chegar ao destino, as vítimas eram obrigadas a se prostituir e repassar parte do dinheiro à organização, além de cumprir regras impostas e permanecer sob vigilância e ameaças constantes.
O material apreendido será analisado para ampliar a investigação sobre a atuação da rede. A Operação New Girl contou com apoio da Divisão de Repressão ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes. Os mandados foram cumpridos por equipes da Base de Enfrentamento à Promoção da Migração Ilegal e Crimes Conexos de São Paulo.
Caminho inverso
Na última sexta-feira (6), a PF desarticulou um esquema de tráfico de pessoas para exploração sexual que operava no sentido inverso: mulheres estrangeiras eram trazidas para se prostituir no Brasil.
A Operação Conexão Puerto Iguazu teve início após denúncia de uma argentina atraída ao Brasil com promessa falsa de emprego em um restaurante de São Miguel do Oeste (SC), mas que acabou forçada à prostituição em uma casa noturna da cidade, onde também sofreu agressões físicas.
Os agentes realizaram buscas em dois endereços, um deles ligado a uma aliciadora ainda procurada. Nos locais, outras mulheres em situação de vulnerabilidade social foram encontradas expostas à exploração. As vítimas eram trazidas de Puerto Iguazu, cidade argentina na fronteira com o Brasil.
Após os procedimentos legais, a Polícia Civil, que apoiou a operação, adotou medidas para garantir o retorno seguro das vítimas à Argentina.