Petróleo despenca 11% após sinais de liberação no Estreito de Ormuz e ações da AIE
Queda acentuada ocorre após rumores de trânsito marítimo seguro e possível liberação de reservas estratégicas globais.
O preço do petróleo registrou forte queda de 11% nesta terça-feira, 10, após três sessões consecutivas de alta expressiva. O movimento foi impulsionado por relatos de retomada do trânsito marítimo no Estreito de Ormuz e pela expectativa de aumento da oferta global da commodity, com a Agência Internacional de Energia (AIE) no radar dos investidores, mesmo diante das restrições de produção impostas por países do Golfo Pérsico devido ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril encerrou o pregão em baixa de 11,9% (US$ 11,32), cotado a US$ 83,45 por barril.
O Brent para maio, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuou 11,2% (US$ 11,16), fechando a US$ 87,80 por barril.
A queda se intensificou ao longo da tarde, com o WTI chegando a ser negociado próximo de US$ 76 o barril, após o diretor executivo da AIE, Fatih Birol, anunciar uma reunião para discutir a segurança do abastecimento energético.
Segundo expectativas do mercado, a AIE pode debater a liberação de petróleo das reservas estratégicas de alguns países. O ímpeto dos preços diminuiu também após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, na segunda-feira, sugerindo que o conflito com o Irã estaria "perto do fim".
Phil Flynn, analista do Price Futures Group, destacou que os relatos de travessia de navios pelo Estreito de Ormuz provocaram uma das maiores reversões de preços da história do petróleo. "Mais de 20 embarcações comerciais supostamente conseguiram transitar pelo estreito na última semana usando táticas de furtividade", afirmou. "Apesar dos desafios, há sinais de que outros navios possam tentar a travessia conforme a situação evolui."
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, chegou a afirmar que a Marinha americana teria escoltado um petroleiro pelo Estreito de Ormuz, mas a publicação foi apagada e desmentida posteriormente pela Casa Branca.
Enquanto isso, o Irã informou que suas forças militares estão preparadas para um eventual confronto com os Estados Unidos na região.
Sobre a produção, a Bloomberg reportou que países do Golfo Pérsico reduziram a produção em até 6,7 milhões de barris por dia (bpd), equivalente a 6% do fornecimento global. Há ainda relatos de possível suspensão de algumas sanções ao petróleo russo após conversa entre Donald Trump e o presidente da Rússia, Vladimir Putin.