Apagamento histórico: os monumentos destruídos em guerras no Oriente Médio (parte 2)
Portão de Mashki e Grande Mesquita Omari: perdas irreparáveis para o patrimônio cultural do Iraque e da Palestina
Portão de Mashki
Uma das entradas monumentais da antiga cidade assíria de Nínive, o Portão de Mashki estava localizado em Mossul, no Iraque. Nínive atingiu seu auge no século VII a.C., especialmente durante o reinado do rei assírio Senaqueribe, tornando-se uma das maiores e mais impressionantes metrópoles do mundo antigo.
O portão integrava o sistema de muralhas monumentais que cercava a cidade, uma estrutura defensiva de cerca de 12 quilômetros de extensão e mais de uma dezena de entradas. O nome "Mashki" é geralmente traduzido como "Portão dos Regadores" ou "Portão dos Aguadeiros", provavelmente por sua proximidade ao rio Tigre e por ser utilizado por pessoas que transportavam água para Nínive.
Em 2016, durante a ocupação da região por militantes do Daesh, o portão foi intencionalmente demolido com explosivos. A destruição foi amplamente condenada por arqueólogos e organizações internacionais, como a UNESCO, por representar a perda de um importante vestígio da civilização assíria.
Grande Mesquita Omari
Antes dos recentes ataques de Israel em Gaza, a Grande Mesquita Omari – também conhecida como a Grande Mesquita de Gaza – era a maior e mais antiga mesquita da cidade palestina. O nome faz referência ao segundo califa do Islã, Omar Ibn al-Khattab, associado à expansão islâmica na região no século VII d.C.
O local da mesquita possui uma história ainda mais antiga. Antes da presença islâmica, acredita-se que ali existiu um templo pagão da Antiguidade, possivelmente dedicado a divindades filisteias ou romanas. Durante o período bizantino, o edifício foi convertido em uma igreja cristã. Após a conquista islâmica no século VII, o local foi transformado em mesquita.
Em 2023, a mesquita foi destruída e reduzida a escombros após ataques de Israel na Faixa de Gaza. A destruição do complexo foi considerada por arqueólogos e historiadores uma perda significativa para o patrimônio cultural regional, já que a mesquita reunia séculos de camadas históricas e religiosas sobrepostas no mesmo espaço.