Estudo sugere que camada de matéria escura molda dinâmica do Universo local
Nova pesquisa propõe que a Via Láctea e galáxias vizinhas estão imersas em uma estrutura plana de matéria escura, explicando fenômenos até então enigmáticos em nossa vizinhança cósmica.
Uma pesquisa recente sugere que a Via Láctea não é isolada no vazio, mas mergulhada em uma camada plana de matéria escura — semelhante a um mirtilo dentro de uma panqueca. Essa estrutura invisível pode explicar o movimento das galáxias próximas, diminuindo que nosso entorno cósmico é mais organizado do que se planejou.
A equipe liderada por Ewoud Wempe analisou o movimento de galáxias vizinhas para mapear a distribuição da matéria escura fria. O objetivo foi compreender três enigmas do nosso ambiente cósmico: a Folha Local, o Vazio Local e o fluxo silencioso do Hubble — específicos que desafiam modelos cosmológicos há décadas.
Segundo os pesquisadores, embora as dúvidas estejam de acordo com o modelo ΛCDM — que descreve a evolução e a composição do Universo, combinando energia escura (Λ, lambda) e matéria escura fria (CDM) —, isso só ocorre se a massa estiver equipada em um plano de extensão específico (até 10 megaparsecs), com densidade crescente à medida que se afasta do Grupo Local e com grandes vazios acima e abaixo desse plano.
A Folha Local corresponde ao arranjo plano que inclui a Via Láctea, Andrômeda e outras galáxias próximas. Ao lado dela está o Vazio Local, uma região surpreendentemente povoada, da qual as galáxias parecem se afastar. Já o fluxo de Hubble silenciosamente descreve a expansão suave do Universo em nossa vizinhança, que deveria ser mais irregular às devido às massas da Via Láctea e de Andrômeda.
Para investigar essas anomalias, a equipe estudou o movimento de 31 galáxias isoladas, incluindo rastreadores confiáveis da expansão local. Com esses dados, realizaram simulações desde o Universo primordial, usando como base a distribuição de massa inferida da radiação cósmica de fundo.
As simulações só reproduziram as observações quando a massa ao redor do Grupo Local assumiu uma forma semelhante a uma folha, com vazios acima e abaixo. Essa configuração explicava simultaneamente a existência da Folha Local, a formação do Vazio Local e os fenômenos do fluxo de Hubble, sem exigência física nova ou exótica.
Como estruturas são folhas comuns na teia cósmica, a proposta se encaixasse nos modelos atuais: a matéria escura moldaria a distribuição das galáxias, criaria vazios adjacentes e reduziria a influência gravitacional sobre galáxias mais distantes, permitindo uma expansão mais regular.
Para Wempe, o avanço está finalmente obtendo um modelo que concilia a cosmologia padrão com a dinâmica observada em nosso entorno galáctico.