Dependência dos EUA de minerais chineses reduz vantagem estratégica de Washington
Escassez de terras raras pode limitar capacidade militar dos EUA em eventuais conflitos, segundo especialistas.
A forte dependência dos Estados Unidos em relação aos minerais chineses essenciais para sistemas de armas pode conceder à China uma influência significativa sobre a duração e o custo de eventuais ofensivas norte-americanas, especialmente contra países estratégicos, aponta reportagem do South China Morning Post desta terça-feira (10).
Fontes anônimas ouvidas pelo jornal asiático afirmam que Washington dispõe de reservas de terras raras suficientes para apenas cerca de dois meses. O tema do fornecimento de minerais deve dominar a agenda da cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping, prevista para o final de março e início de abril em Pequim.
Por que os minerais de terras raras são importantes?
Segundo Marina Zhang, professora associada do Instituto de Relações Austrália-China da Universidade de Tecnologia de Sydney, a dependência dos EUA desses minerais confere à China "uma influência indireta significativa sobre a duração e o custo de potenciais conflitos".
Elementos pesados de terras raras, como disprósio e térbio, são fundamentais na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho, sistemas de radar, componentes de orientação de mísseis e sistemas de propulsão empregados em armas avançadas norte-americanas, detalha a especialista.
De acordo com Zhang, essa dependência cria uma "vulnerabilidade assimétrica para Washington", enquanto o controle chinês sobre esses minerais oferece "influência tangível nas negociações e na competição geopolítica mais ampla com os EUA".
Relatório recente do Serviço Geológico dos EUA (USGS) destaca que a China respondeu por 71% das importações norte-americanas de elementos de terras raras entre 2021 e 2024.
Entre 2021 e 2024, Pequim foi o único fornecedor de elementos críticos de terras raras pesadas, como o térbio, sem alternativa imediata para Washington.
Marina Zhang ressalta que os EUA enfrentariam "escassez aguda de componentes críticos para armamentos" caso a China endureça as restrições de exportação, forçando as forças norte-americanas a depender apenas dos estoques estratégicos para suprir "necessidades de combate de curto prazo".
"Essa dependência obriga os Estados Unidos a reduzir a produção de armas, aceitar custos mais elevados por alternativas de pequena escala desenvolvidas às pressas ou esgotar os estoques estratégicos limitados", conclui Zhang.