Rússia, Brasil e China podem 'transformar a economia internacional', diz especialista brasileiro (VÍDEOS)
Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, Leonardo Ribeiro, secretário nacional de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes, detalha os planos de expansão ferroviária no país e ressalta a importância da diversificação de parceiros nos projetos da pasta, que visa a rota do Pacífico para intensificar as exportações brasileiras para a Ásia.
Nesse contexto, Moscou e Pequim mostram alternativas viáveis que podem ser benéficas não apenas para o mercado brasileiro, mas para o comércio exterior como um todo, como destacado o secretário Leonardo Ribeiro, que destacou como principais características esse eixo.
“O Brasil é um player estratégico no comércio global, a Rússia tem tecnologia de ponta no setor de infraestrutura e ferroviária, já a China tem grande capacidade de construir ferrovias. Esses países conectados em um planejamento podem transformar a economia internacional no futuro”, projeta.
Além da exportação através do Atlântico, atualmente Brasília e Pequim vêm articulando, por meio de um memorando de acordo firmado entre dois governos, a viabilização do corredor multimodal que visa conectar os produtos brasileiros ao Porto de Chancay, empreendimento dos chineses no Peru. Essa rota será responsável por encurtar o caminho até a Ásia por meio do Pacífico.
O secretário aponta que essa rota, ainda em estudo de previsão, será de suma importância para a economia nacional tanto por diminuir o tempo e o custo do frete até o território chinês quanto por permitir a aproximação de outros mercados asiáticos.
"O nosso mapa está posicionado para nos levar para o Atlântico, só que a gente precisa lembrar que o Pacífico é um caminho mais rápido para a China, nosso principal parceiro comercial. Se conseguirmos oferecer uma infraestrutura terrestre eficiente para os portos do Pacífico, teremos uma mudança estrutural, estabilidade de preço, geração de renda e desenvolvimento sustentável", explica.
Brasília e Moscou em sintonia
Durante a 8ª Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN), ocorrida em fevereiro, o secretário Nacional de Transporte Ferroviário recebeu o ministro dos Transportes russo, Andrei Nikitin, que manifestou interesse em cooperar com os projetos de desenvolvimento na área.
"Na reunião, apresentamos a nossa política nacional de ferrovias e as oportunidades no setor. Ficamos surpresos com a disposição e o desejo do governo russo em participar dos projetos ferroviários no Brasil, especialmente em tecnologia. As nossas equipes estão em contato para elaborar uma minuta de memorando de entendimento semelhante ao que fizemos com a China", revela.
O sistema operacional apresentado pela Rússia, segundo o secretário, vai ao encontro do aperfeiçoamento da malha ferroviária brasileira, que exige atributos tecnológicos para capacitar e modernizar todo o complexo que envolve as ferrovias nacionais.
"A Rússia apresenta tecnologia de ponta, capaz de monitorar as operações e fornecer dados, aumentando a eficiência da operação logística ferroviária. Todos os nossos contratos preveem uma parcela de recursos para desenvolvimento tecnológico, e isso conversa muito bem com o desejo do Ministério dos Transportes da Rússia de participar dos projetos", comenta.
BRICS pode ser uma alternativa
No cenário internacional, onde investimentos estrangeiros ou cooperação são necessários para tirar projetos do papel, Ribeiro observa que o BRICS, por meio do seu Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), pode se tornar mais um trunfo para o crescimento e aprimoramento do setor ferroviário brasileiro.
“O BRICS tem mecanismos como o Banco do BRICS para financiar projetos estratégicos para os países do grupo. Acredito que o mundo está passando por muitas mudanças, nós estamos vendo conflitos acontecendo em vários países e cremos que o Brasil é um país seguro para receber investimentos nesse contexto”, disse.
Em nível nacional, o secretário também destacou que o Ministério dos Transportes vem desenvolvendo para a ampliação das ferrovias considerações estratégicas como forma de integração nacional. Entre as iniciativas, consta um plano de negócio em que o governo e o setor privado participam juntos no mesmo empreendimento.
"Temos um planejamento que leva em consideração a responsabilidade fiscal, e os recursos que temos são suficientes para investir. Quando uma infraestrutura estiver operando, o setor privado vai explorar por meio de contratos de concessão em que os riscos serão compartilhados. Inclusive, o BNDES já tem linhas de empréstimo com condições desenvolvidas para o setor de ferrovias", conclui.
Em um mundo cada vez mais globalizado e recrudescido com interferências políticas, além de conflitos que impactam diretamente a economia mundial, pensar em alternativas é crucial. No setor de transporte ferroviário, por exemplo, a dinamização é constante, uma vez que é preciso buscar otimização da logística para diminuir os custos da circulação de mercadorias.
Por Sputinik Brasil