SAÚDE E CIÊNCIA

FDA aprova leucovorina para deficiência cerebral de folato, mas não para autismo

Agência americana libera medicamento para condição genética ultrarrara, mas reforça que não há evidências de eficácia ou segurança para uso em casos de autismo.

Publicado em 11/03/2026 às 11:47
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos equivalente à Anvisa, aprovou nesta terça-feira, 10, o uso da leucovorina para tratar crianças e adultos com uma condição genética que limita o fornecimento de folato (vitamina B) ao cérebro.

Esta é a primeira vez que a agência aprova um tratamento para a doença, considerada ultrarrara.

Autismo fora da área

A aprovação, entretanto, não inclui pacientes com autismo, contrariando declarações anteriores do presidente Donald Trump e de membros do governo, que afirmaram que o medicamento teria potencial para tratar pessoas com o transtorno.

Durante a coletiva na Casa Branca, em setembro, Trump e o comissário da FDA, Marty Makary, anunciaram que a leucovorina estava sendo avaliada para pacientes com transtorno do espectro autista (TEA), alguns dos quais apresentavam deficiência de vitamina B12.

Segundo a Associated Press (AP), altos funcionários da FDA explicaram que a análise foi restrita às evidências mais sólidas, que respaldavam o uso do medicamento apenas para pacientes com mutação genética específica. Eles destacaram ainda que um estudo que sugeriu o uso da leucovorina no autismo foi retratado no início deste ano.

Cientistas que pesquisaram o TEA reforçaram, nesta terça, que o medicamento não se mostrou seguro ou eficaz para a maioria das pessoas com autismo.

“Não há evidências que comprovem que a leucovorina beneficie a maioria das pessoas com autismo, e tampouco há comprovação de sua segurança”, afirmou à AP Alycia Halladay, da Autism Science Foundation.

O especialista acrescentou que não há dados precisos sobre quantos indivíduos com autismo possuem problemas relacionados ao folato.

Aumento nas prescrições

A Academia Americana de Pediatria não recomenda o uso de rotineiro de leucovorina para crianças com autismo.

Apesar disso, um estudo publicado na revista The Lancet em 5 de junho mostrou que as prescrições do medicamento para crianças e adolescentes de 5 a 17 anos aumentaram 71% nos três meses após a coletiva de Trump.

“Observamos um aumento expressivo nas prescrições de leucovorina para autismo devido ao anúncio prematuro e equívoco de que ela poderia tratar os sintomas do transtorno”, afirmou David Mandell, especialista da Universidade da Pensilvânia, à AP. “Agora, as famílias estão confusas sobre as melhores práticas para seus filhos.”

Alycia Halladay alerta os pais para que não busquem o medicamento, citando relatos de efeitos colaterais como irritabilidade, agressividade e hiperatividade em pessoas com autismo.

“Se os pais insistirem em tentar, é preciso saber o que pode causar danos e não trazer benefícios”, conclui.

Com informações da Associated Press.