MERCADO INTERNACIONAL

Petróleo avança 4% com tensão no Estreito de Ormuz e relatórios da Opep e AIE

Ataques a navios e incertezas geopolíticas impulsionam preços; Opep e AIE divulgam projeções e medidas para o setor.

Publicado em 11/03/2026 às 16:08
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O petróleo encerrou esta quarta-feira, 11, com valorização de 4%, em meio à intensificação do conflito no Oriente Médio. A crescente tensão na região mantém o mercado em alerta, principalmente diante das preocupações com a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global da commodity. Além disso, investidores repercutiram o relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sobre as perspectivas de demanda e a decisão da Agência Internacional de Energia (AIE) de atuar para estabilizar o mercado energético.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril registrou alta de 4,55% (US$ 3,80), fechando a US$ 87,25 o barril. Já o Brent para maio subiu 4,76% (US$ 4,18), encerrando a US$ 91,98 o barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

O movimento de alta ocorre após uma queda superior a 10% na sessão anterior, influenciada pela continuidade da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Nesta quarta-feira, navios petroleiros foram atacados próximos ao Estreito de Ormuz, com o governo iraniano reivindicando a autoria de pelo menos um dos ataques. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o conflito pode terminar "em breve", mas fontes ouvidas pela Axios indicam que Washington e Tel-Aviv se preparam para pelo menos mais duas semanas de ofensiva.

De acordo com Benjamin Cohen, do Macquarie Group, o aumento do preço do barril ainda não é suficiente para levar os EUA a recuar no confronto. "Os americanos devem manter o combate, e os preços do petróleo tendem a permanecer altos — ainda que voláteis — até que os confrontos terminem, possivelmente no fim do mês", avalia.

Em relatório, a Fitch advertiu que um cenário de alta persistente do petróleo pode prejudicar o crescimento econômico global.

Mais cedo, a AIE anunciou que os 32 países-membros concordaram em liberar 400 milhões de barris de petróleo de reservas emergenciais para o mercado. Por sua vez, a Opep projetou um aumento na oferta global de 600 mil barris por dia (bpd) em 2026, apesar das restrições no Oriente Médio, e manteve a previsão de crescimento da demanda mundial pela commodity em 1,4 milhão de bpd para este ano.

Nos Estados Unidos, os estoques semanais de petróleo subiram acima do esperado, enquanto os derivados, como gasolina e destilados, registraram forte queda.