Toffoli se declara suspeito para julgar pedido de CPI do Banco Master por motivo de foro íntimo
Ministro do STF abre mão de relatoria sobre investigação de relações entre Banco Master e BRB após possível conflito de interesse
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se suspeito, nesta quarta-feira (11), para atuar como relator no mandado de segurança que solicita a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) na Câmara dos Deputados. Com a decisão, outro relator deverá ser sorteado para conduzir o processo.
"Declaro minha suspeição por motivo de foro íntimo. Determino à Secretaria Judiciária que encaminhe o processo à presidência desta Suprema Corte para a adoção das providências que julgar pertinentes", afirmou Toffoli em sua decisão.
A ação foi movida pelo deputado federal e ex-governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), que havia solicitado à Mesa Diretora da Câmara a instalação da CPI. Segundo Rollemberg, o pedido foi apoiado por mais de um terço dos membros da Câmara, atendendo ao requisito para abertura de uma CPI, mas a instalação foi barrada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), por "resistência pessoal".
Toffoli já havia sido sorteado como relator do chamado Caso Master no STF, mas abdicou da função após a divulgação, pela imprensa, de que uma empresa ligada à sua família, da qual era sócio, vendeu parte de um resort a um fundo associado ao Banco Master em 2021. O novo relator do caso será o ministro André Mendonça.
Escândalo do Banco Master
Em novembro do ano passado, a 10ª Vara Federal de Brasília determinou o bloqueio e a arrecadação de bens do Banco de Brasília (BRB), do Banco Master e de executivos investigados, totalizando R$ 12,2 bilhões, no âmbito da Operação Compliance Zero.
A operação resultou na prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acusado de emitir títulos de crédito falsos.
As investigações da Polícia Federal tiveram início em 2024, a partir de pedido do Ministério Público Federal, para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira, vendidas a outro banco e, "após fiscalização do Banco Central, substituídas por outros ativos sem avaliação técnica adequada", conforme informou a PF.