POLÍTICA

Tarcísio faz acenos a 2026 e defende classificação do PCC como 'terrorista' pelos EUA

Por Sputinik Brasil Publicado em 11/03/2026 às 20:14
© Sputnik / Guilherme Correia

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) disparou críticas ao governo federal, defendeu candidatura do delegado Guilherme Derrite ao Senado e elogiou eventual classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) como "terrorista" pelos EUA, nesta quarta-feira (11).

Ele falou à imprensa durante a inauguração do novo Centro de Controle Operacional (CCOx) do Metrô da capital paulista, ele comentou sobre potencial confronto com o ex-ministro da Economia Fernando Haddad (PT) nas eleições de 2026:

"A gente não escolhe o adversário. A gente vai mostrar o que nós fizemos e o que nós temos de projeto para frente. Vou falar com o eleitor, eu não vou pensar em adversário. Eu acho que é isso que dá certo".

Ao ser questionado sobre a avaliação do Partido dos Trabalhadores (PT) de que ele seria "blindado de críticas", Tarcísio recusou a premissa e criticou Haddad:

"Ninguém é blindado de crítica de lugar nenhum [...] O que que eu posso fazer se ele aumentou o imposto a cada 30 dias? Não é culpa minha, é culpa dele".

Pesquisa Datafolha divulgada nos últimos dias mostrou candidatos do campo progressista à frente de nomes da direita — incluindo Gustavo Derrite, seu ex-secretário de Segurança Pública — nas corridas ao Senado por São Paulo.

Tarcísio minimizou os números, dizendo que "as pessoas demoram um pouco mais para se conectar à eleição de Senado. Então, no final, numa primeira avaliação neste momento, aparece melhor quem tem mais eco".

O governador confirmou que defende a candidatura de Derrite, mas admitiu que o segundo nome da chapa ainda não está definido.

"Tem vários bons nomes na disputa [...] Quem for escolhido aí para compor a chapa junto com Derrite vai representar bem o estado de São Paulo, não tem dúvida."

Perguntado se buscaria um nome mais moderado, respondeu:

"Vou articular nome viável, um nome bom e que represente bem o estado de São Paulo [...] Olha o que aconteceu com relação aos benefícios tributários para algumas regiões do Brasil, em detrimento a São Paulo, em detrimento da indústria paulista. Então, às vezes isso é falta de defesa", disse, defendendo que os próximos senadores devam trabalhar nesta questão.

PCC e EUA

Tarcísio defendeu equiparação do PCC, facção criminosa brasileira, à organização terrorista pelo governo americano — tema que deve entrar na agenda da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Siva (PT) e Donald Trump:

"A partir do momento em que um governo como o dos Estados Unidos encara o PCC como organização terrorista, e é de fato que eles são, fica mais fácil, fica aberto o caminho da cooperação para que a gente possa integrar a inteligência, para que a gente possa trazer recurso financeiro e para que a gente possa fazer um combate ainda mais efetivo".

Ele também afirmou que a Linha 17-Ouro deve entrar em operação ainda em este ano, em horário reduzido.

'Deboche com a população'

Concessionária de energia elétrica que abastece São Paulo, a italiana Enel está sob análise de caducidade, com decisão esperada para 24 de março. Tarcísio criticou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que havia acusado o prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB) de "politicagem" no assunto.

"Queria que ele perguntasse ou falasse para as pessoas que ficam às vezes uma semana sem energia, se a política ajuda", respondeu o governador.

Ele rebateu o argumento de que eventos climáticos extremos justificariam as falhas:

"Para quem diz que isso é anormal, basta ler as cartas do padre José de Anchieta, onde ele narra das árvores que são arrancadas pelas raízes para ver que isso acontece há bastante tempo. Então a empresa não se preparou. A empresa diz: 'Ah, o problema é a arborização de São Paulo. O que que eles querem? Que a gente transforme a cidade num campo de bonsai? Não, isso também não vai acontecer'".