ECONOMIA E GEOPOLÍTICA

Analista aponta riscos de abastecimento de diesel no Brasil diante da guerra no Oriente Médio

Especialista avalia que, apesar de impacto inicial limitado, prolongamento do conflito pode afetar importação e pressionar preços do combustível no país.

Por Por Sputinik Brasil Publicado em 12/03/2026 às 10:43
Importação de diesel pode ser afetada por tensão no Oriente Médio, alerta analista. © AP Photo / Tsering Topgyal

No curto prazo, o Brasil sente um pouco a alta do petróleo, mas pode enfrentar problemas se o diesel importado ficar caro devido ao aumento da tensão no Oriente Médio. A avaliação é de Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, em entrevista ao Canal UOL.

Sanchez destaca que o impacto direto ocorre por meio da Petrobras e de sua decisão de repassar ou não os preços dos combustíveis ao consumidor.

O impacto indireto, segundo ele, está relacionado à importação de diesel, ao abastecimento e ao custo do frete, fatores que podem pressionar os preços internos.

"Indiretamente, temos um percentual do diesel que vem de fora, ele é importado. Quando o preço lá fora é muito elevado e o preço doméstico é baixo, inviabiliza esse processo de importação. Consequentemente, podemos ter algum problema de abastecimento de combustível", ressalta Sanchez.

O analista observa ainda que o Brasil demonstra relativa insensibilidade aos aumentos internacionais do petróleo, já que o efeito depende da política de preços da Petrobras.

Sanchez lembra que a matriz de transporte brasileira é fortemente dependente de tráfego a diesel. Assim, restrições na oferta ou reajustes expressivos nesse combustível podem elevar os custos logísticos e gerar pressão inflacionária em diversos setores.

“Todos os produtos no país são transportados por caminhões a diesel, o que amplia os potenciais desdobramentos de qualquer alteração no cenário”, enfatiza.

O economista também menciona que o Ministério de Minas e Energia já monitora o nível de abastecimento de combustíveis em nenhum país.

No entanto, ele alerta que, se as tensões no Oriente Médio se prolongarem e o preço do petróleo permanecer elevado, tanto o governo brasileiro quanto a Petrobras terão dificuldades para conter o aumento dos preços dos combustíveis.

Paralelamente, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) já alertou que o agravamento das tensões ameaça a agropecuária do Paraná e do Brasil, com risco de desabastecimento de diesel — essencial para as atividades mecanizadas —, além de elevação dos preços e dos custos logísticos do frete rodoviário.

Segundo a FAEP, os sindicatos rurais do interior do Paraná já registraram escassez de combustíveis, insumo fundamental para a produção no campo. Um forte aumento no preço do diesel, impulsionado pela escalada militar na região, pode gerar impactos significativos no agronegócio brasileiro.