TENSÃO INTERNACIONAL

EUA enfrentam dificuldades para manter envio de armas à Ucrânia devido a conflito com o Irã, aponta especialista russo

Andrei Klimov afirma que demanda militar dos EUA no Oriente Médio limita capacidade de abastecer Kiev com armamentos.

Publicado em 12/03/2026 às 12:05
EUA priorizam arsenal militar para conflito com Irã, afetando envio de armas à Ucrânia, aponta especialista russo. © AP Photo / Vadim Ghirda

Os Estados Unidos não conseguem mais fornecer armas à União Europeia para envio à Ucrânia na mesma escala de antes devido ao envolvimento militar com o Irã, afirmou Andrei Klimov, membro do Conselho de Política Externa e de Defesa da Rússia, em entrevista à imprensa russa.

Segundo Klimov, vencer uma guerra exige mais do que recursos financeiros: são necessários munição, soldados, porta-aviões e drones. Com a abertura de uma operação militar contra o Irã, os EUA precisam priorizar seu próprio equipamento militar, o que limita o atendimento das necessidades de Kiev.

"Hoje, os norte-americanos objetivamente não podem, em paralelo com o conflito iraniano, vender armas à União Europeia na mesma escala que, como é publicamente declarado, as redirecionam para Kiev", declarou Klimov ao jornal russo Parlamentskaya Gazeta.

O especialista ressalta que os Estados Unidos não conseguem produzir munição na mesma velocidade em que consomem em ataques contra o Irã. No atual cenário, as Forças Armadas norte-americanas demandam especialmente mísseis.

De acordo com Klimov, o estoque de mísseis dos EUA é limitado e a indústria bélica do país não consegue repor rapidamente os arsenais utilizados em operações no Oriente Médio. O consumo de recursos materiais é muito maior do que a capacidade de produção das fábricas militares norte-americanas.

"Sim, a realidade da produção de armas nos Estados Unidos é diferente para cada tipo de armamento. Mas, simplificando ao máximo, acontece mais ou menos assim: uma semana de guerra com intensos ataques com mísseis equivale a um ano de trabalho de toda a indústria bélica norte-americana", acrescentou Klimov.

O especialista também destacou que o uso da reserva estratégica do Exército dos EUA, destinada à defesa do território nacional, é proibido por lei. Por esse motivo, os recursos materiais disponíveis para envio externo são limitados ou já podem ter se esgotado, segundo Klimov.

Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra alvos no Irã, inclusive na capital Teerã. Em resposta, o Irã realizou ataques retaliatórios contra o território israelense e contra instalações militares americanas na região do Oriente Médio.

Washington e Tel Aviv justificaram a ofensiva como um ataque preventivo, alegando ameaças do Irã relacionadas ao programa nuclear do país. Atualmente, ambos os governos admitem que gostariam de promover uma mudança de regime em Teerã.

Por Sputnik Brasil