OPERAÇÃO ANOMALIA

PMs faziam segurança de traficantes do Comando Vermelho e escolta até para ida ao hospital, diz PF

Policiais militares do Rio de Janeiro são suspeitos de atuar como seguranças de traficantes e fornecer informações ao crime organizado, segundo investigações da Polícia Federal.

Publicado em 12/03/2026 às 12:59
PMs faziam segurança de traficantes do Comando Vermelho e escolta até para ida ao hospital, diz PF Reprodução

Policiais militares presos pela Polícia Federal por envolvimento com grupos criminosos no Rio de Janeiro atuavam como seguranças de traficantes. Conforme as investigações, os PMs chegaram a escoltar um criminoso até uma consulta médica.

A terceira fase da Operação Anomalia foi deflagrada nesta quarta-feira, 11. Segundo a PF, o grupo de policiais prestava serviços de segurança ao traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio.

Agentes da Polícia Federal, em parceria com a Corregedoria da Polícia Militar do Rio, cumpriram sete mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e Nilópolis. De acordo com a PF, os policiais detidos são suspeitos de atuarem como seguranças ou de repassarem informações ao crime organizado.

O Supremo Tribunal Federal determinou o afastamento imediato das funções públicas de todos os investigados, além da quebra do sigilo de dados dos equipamentos eletrônicos apreendidos.

A investigação aponta que os policiais militares usavam as prerrogativas da farda e da função pública para beneficiar o crime organizado.

"A investigação evidenciou uma estrutura voltada não apenas à facilitação logística para o tráfico e milícias, mas também à blindagem de criminosos e à ocultação do proveito econômico ilícito", informou a corporação.

Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

Delegados, advogados e ex-secretário do Rio

Na terça-feira, 10, a operação prendeu os policiais civis Franklin José de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus, além do delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves. Também é citado nas investigações Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, apontado como traficante e que já estava preso.

O Estadão busca contato com as defesas dos citados. O espaço está aberto para manifestações.

Na segunda-feira, 9, na primeira etapa da 'Anomalia', a Polícia Federal prendeu o delegado Fabrizio Romano e o ex-secretário estadual de Esportes, Alessandro Pitombeira Carracena, suspeitos de vender influência política ao crime organizado.

Segundo a PF, o grupo negociava vantagens indevidas para favorecer interesses de um proeminente traficante internacional de drogas baseado no Rio de Janeiro.

Carracena já havia sido preso no ano passado ao lado do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias (MDB), e, segundo as investigações, teria recebido mais de R$ 90 mil do Comando Vermelho.