Troca de nome da Rua Peixoto Gomide avança na Câmara Municipal
Projeto aprovado na CCJ propõe retirar homenagem a político que matou a própria filha; via pode passar a se chamar Rua Sophia Gomide
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de São Paulo aprovou, na última quarta-feira (11), o projeto de lei (PL 482/2025) que propõe a alteração do nome da Rua Peixoto Gomide, situada nos bairros Bela Vista e Jardim Paulistano, região central da capital paulista.
Atualmente, a via homenageia o político Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior, que, em janeiro de 1906, assassinou sua filha, Sophia Gomide, às vésperas do casamento dela. Após o crime, Peixoto Gomide, então senador por São Paulo, cometeu suicídio.
A votação na CCJ foi aprovada por sete votos favoráveis. O vereador Lucas Pavanato (PL) foi o único a votar contra, enquanto Sansão Pereira (Republicanos) optou pela abstenção.
Com a decisão, a CCJ reconheceu a legalidade do projeto, permitindo que o texto siga para apreciação em plenário.
O PL é de autoria das vereadoras Luna Zarattini (PT) e Silvia da Bancada Feminista (PSOL), e propõe que a rua passe a se chamar Rua Sophia Gomide. Segundo as autoras, o objetivo é promover uma “reparação histórica”.
“O presente projeto de lei tem como finalidade promover reparação histórica e conceder a devida dignidade à memória de Sophia Gomide, mulher que foi brutalmente assassinada pelo próprio pai, Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior”, justificam as vereadoras.
Em 1914, a Câmara Municipal homenageou o senador ao aprovar projeto que batizou uma das travessas da Avenida Paulista com o nome de Peixoto Gomide. “Sophia sequer foi citada ou recebeu qualquer homenagem”, destacam as parlamentares.
Para embasar o PL, Luna Zarattini e Silvia da Bancada Feminista se apoiaram em estudo da pesquisadora Maíra Rosin, que identificou ruas nomeadas em referência a homens que cometeram feminicídios contra esposas, amantes e filhas.
“A pesquisadora traz à luz algumas ruas que levam essas homenagens a feminicidas – mesmo que, à época, o crime não fosse tipificado dessa forma. Uma delas é a Rua Peixoto Gomide, que fica no coração da cidade de São Paulo”, apontam as vereadoras.
Os motivos do crime permanecem incertos. Segundo a pesquisadora, citada no PL, jornais da época atribuíram o assassinato a “uma alucinação” de Peixoto Gomide, relatando que sintomas desse quadro já teriam se manifestado dias antes.