JUSTIÇA

Moraes nega pedido de visita de assessor de Trump a Bolsonaro na Papudinha

Ministro do STF rejeita solicitação alegando ausência de comunicação diplomática e possível ingerência

Publicado em 12/03/2026 às 19:30
Alexandre de Moraes nega visita de assessor de Trump a Bolsonaro no presídio Papudinha, em Brasília.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (12) o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos, enquanto cumpre pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Na decisão, Moraes afirmou que a visita do assessor do ex-presidente norte-americano Donald Trump não foi comunicada à diplomacia brasileira e não integra a agenda oficial que será cumprida no Brasil.

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“A realização da visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive, poderia ensejar a reanálise do visto concedido”, destacou o ministro.

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou a Moraes que a visita a Bolsonaro poderia configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil.

De acordo com Vieira, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil comunicou ao governo brasileiro que Darren Beattie estará no país para participar do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, que ocorrerá em São Paulo, na próxima quarta-feira (18).

O chanceler acrescentou que a representação norte-americana não mencionou possíveis visitas fora da agenda oficial.

No início da semana, a defesa de Bolsonaro solicitou que a visita fosse realizada na próxima segunda-feira (16), pela manhã, ou na terça-feira (17), datas em que o assessor estará oficialmente no Brasil. Também foi pedida a entrada de um tradutor na prisão.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pela participação em uma trama golpista e cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

O local, conhecido como Papudinha, é destinado a presos especiais, como policiais, advogados e juízes.