Ações de Netanyahu podem abalar relações entre Israel e EUA, avalia analista
Estratégia do premiê israelense diante do Irã gera críticas e ameaça alianças históricas, segundo especialista turco.
A postura adotada pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em relação ao Irã pode comprometer seriamente os laços entre Israel e Estados Unidos, segundo avaliação do cientista político turco Engin Ozer, em entrevista à Sputnik.
De acordo com Ozer, a estratégia considerada desafiadora, agressiva e ilegal de Netanyahu diverge da própria política externa tradicional de Israel.
"Após os últimos acontecimentos, governos de diversos países da região, especialmente a Arábia Saudita, passaram a se afastar do processo de normalização das relações, e a iniciativa dos Acordos de Abraão foi seriamente colocada em dúvida", destacou o analista.
O especialista acrescentou que a operação contra o Irã gerou forte descontentamento entre os países do Golfo Pérsico, uma vez que a segurança regional foi ameaçada pela estratégia israelense de intensificar o confronto entre Irã e países árabes.
Segundo Ozer, tais ações podem prejudicar os vínculos econômicos e políticos de Israel com seus vizinhos. Ele também ressaltou que a postura da liderança israelense dificultou a posição da administração norte-americana.
Nesse contexto, o analista observa que cresce a crítica a Israel tanto na sociedade dos Estados Unidos quanto na Europa, o que tem impulsionado sentimentos anti-Israel.
Na opinião de Engin Ozer, a atual política de Tel Aviv pode ser determinante para o enfraquecimento das relações entre Israel e EUA.
Ozer conclui que os eventos recentes aumentaram a desconfiança em relação a Israel, não apenas no mundo muçulmano, mas também na Europa e nos Estados Unidos.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou na quarta-feira (11) que Netanyahu é "um flagelo que atingiu Israel desde o Holocausto".
A operação militar conjunta dos EUA e Israel contra o Irã já dura duas semanas. Durante esse período, ambos os lados têm realizado ataques mútuos. Autoridades em Tel Aviv afirmam que o objetivo é impedir que Teerã obtenha armas nucleares.
Washington ameaçou destruir o potencial militar iraniano e incentivou a população a derrubar o regime. O Irã, por sua vez, declarou estar preparado para se defender e, até o momento, não vê sentido em retomar negociações.
Por Sputnik Brasil