Analista aponta divergências táticas entre Espanha e Itália sobre Irã
Declarações de Pedro Sánchez e Giorgia Meloni evidenciam nuances distintas na postura europeia diante do conflito no Oriente Médio.
As recentes declarações dos líderes da Espanha e da Itália sobre o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel evidenciam diferenças táticas no campo ocidental, segundo o diretor do Clube Valdai de Discussões Internacionais, Timofei Bordachev.
Bordachev explicou à Sputnik que, embora não haja uma ruptura séria dentro da União Europeia, as posições de Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, e Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, revelam nuances distintas entre os países ocidentais.
Segundo o analista, a Espanha tradicionalmente adota uma postura particular, mantendo laços históricos com o mundo árabe e o norte da África, além de ser crítica às ações de Israel.
"Agora está claro que há uma divisão no Ocidente e Trump provocou outro alvoroço informativo. [...] Meloni diz o que [o presidente francês] Macron e [o chanceler alemão] Merz têm medo de dizer, mas Sánchez diz o que o governo espanhol quase sempre diz nessas ocasiões", afirmou Bordachev.
Bordachev destacou ainda que, devido a essa posição isolada, Madri declarou, logo no início das ações dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que as bases norte-americanas em território espanhol não poderiam ser utilizadas para ataques contra a República Islâmica do Irã.
Apesar das diferenças, o especialista não acredita em uma grave divisão na Europa, lembrando que o Reino Unido, considerado o principal dissidente, já não integra a União Europeia.
Na quarta-feira (11), Pedro Sánchez enfatizou que a aliança com os Estados Unidos não implica concordância automática com todas as decisões do país norte-americano.
Já Giorgia Meloni ressaltou que a operação militar dos Estados Unidos e Israel contra o Irã contraria normas do direito internacional.