TENSÃO NO COMÉRCIO INTERNACIONAL

Novas investigações comerciais dos EUA geram preocupações na Ásia

Ações americanas miram excesso de capacidade industrial em países asiáticos e reacendem debate sobre tarifas

Publicado em 13/03/2026 às 08:38
Novas investigações comerciais dos EUA geram preocupações na Ásia AP/Evan Vucci

As recentes investigações comerciais abertas pelos Estados Unidos têm como alvo o excesso de capacidade industrial em diversas economias asiáticas, intensificando preocupações sobre a possibilidade de novas tarifas.

O governo Trump iniciou as apurações nesta semana com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza a imposição de tarifas contra países que discriminam empresas ou o comércio dos EUA.

Especialistas veem a medida como um "plano B" após a Suprema Corte derrubar tarifas anteriores impostas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Segundo Philip Wee, estrategista do DBS, "ao recorrer à Seção 301, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) busca uma base jurídica mais sólida para as tarifas antes que a taxa global temporária de 10% da Seção 122 expire em julho".

China, Singapura e Tailândia estão entre as economias citadas na investigação. Conforme o USTR, o foco recai sobre países que apresentam excesso de capacidade estrutural e produtiva em setores manufatureiros, evidenciado por grandes ou persistentes superávits comerciais, capacidade ociosa ou subutilizada.

Antes de qualquer imposição tarifária, os EUA pretendem realizar consultas com governos estrangeiros e abrir espaço para comentários públicos.

Governos asiáticos já reagiram às investigações. O Ministério do Comércio da China classificou a ação como um ato de "unilateralismo" e pediu a Washington que corrija o que considera práticas injustas. O ministério também afirmou que a China se reserva o direito de adotar medidas para proteger seus interesses. A declaração ocorre às vésperas de uma viagem à França da delegação liderada pelo vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, que participará de negociações comerciais com os EUA, consideradas preparatórias para uma visita do presidente Donald Trump à China ainda este mês.

Na quinta-feira à noite, Singapura contestou as alegações do USTR, afirmando que suas taxas de ocupação de espaços industriais são "muito saudáveis". O Ministério do Comércio de Singapura destacou que, embora o USTR aponte um superávit comercial de US$ 27 bilhões com os EUA em 2024, dados oficiais americanos indicam, na verdade, um déficit de US$ 27 bilhões. O ministério informou que já forneceu esses dados ao USTR e que buscará esclarecimentos sobre as informações comerciais e a investigação.

A Tailândia também rebateu o aviso. Autoridades tailandesas argumentam que parte significativa do superávit comercial de US$ 51 bilhões com os EUA corresponde a exportações de empresas americanas com bases produtivas na Tailândia, cujos lucros são posteriormente repatriados para as matrizes e acionistas, segundo nota de economistas do CIMB.

O USTR não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Fonte: Dow Jones Newswires.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.