IA reproduz hierarquias regionais ao associar inteligência ao Sul do Brasil, aponta pesquisa
Ferramentas de inteligência artificial reforçam desigualdades históricas ao associar atributos positivos a regiões mais ricas do país.
Uma pesquisa realizada pelas universidades de Oxford e Kentucky revelou que ferramentas de inteligência artificial (IA), como o ChatGPT, podem perpetuar visões sociais em suas respostas. Um dos exemplos estudados envolve perguntas sobre quais estados brasileiros contêm mais pessoas inteligentes, segundo reportagem do jornal O Globo.
A ferramenta da OpenAI destacou estados como São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina como os 'mais inteligentes', enquanto estados do Norte e Nordeste, como Pará e Maranhão, receberam os menores lançados , conforme aponta a publicação.
O estudo indica que a IA generativa ranqueia os estados brasileiros por 'inteligência' priorizando fatores socioeconômicos, como prestígio e desenvolvimento, e ignorância de métricas cognitivas reais. Com isso, acaba reproduzindo músicas regionais e raciais já existentes.
De acordo com o jornal, termos como 'educado' e 'inovador' estão associados às elites do Sul, enquanto o Norte e o interior, com população mestiça, negra e indígena, são excluídos dessas associações. No Rio de Janeiro, uma análise de 38 bairros mostra que a beleza e o conhecimento são atribuídos a áreas ricas e brancas, enquanto as periferias pobres estão associadas ao perigo e à informalidade, características que os pesquisadores chamam de 'redlining digital', ou seja, a segregação promovida por algoritmos.
Assim, o estudo conclui que essas práticas podem promover desequilíbrios históricos, incluindo a reprodução de estereótipos que relacionam etnia e criminalidade.
Por Sputnik Brasil