SPE aponta que impacto de oscilações extremas no preço do petróleo não é linear
Secretaria de Política Econômica avalia que choques mais severos no petróleo podem afetar crescimento e inflação de maneira desigual, mas mantém projeções positivas para 2026.
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda destacou, em atualização da grade de parâmetros para 2026 divulgada em março, que o impacto de variações extremas no preço do petróleo — especialmente diante dos conflitos no Oriente Médio — sobre a atividade econômica e a inflação não segue uma relação linear.
"Em cenários ainda mais disruptivos, o aumento da incerteza e da aversão ao risco tende a prejudicar o comércio e o crescimento mundial, levando a um quadro de estagflação. Nesse caso, o crescimento brasileiro também seria afetado negativamente", avaliou a SPE.
Apesar do choque nos preços do petróleo, as perspectivas macroeconômicas para 2026 permanecem favoráveis. Nos cenários simulados pela pasta, a elevação dos preços do petróleo impacta positivamente a atividade econômica, a balança comercial e a arrecadação, embora gere inflação mais acentuada em caso de choques disruptivos. Nessa hipótese, o impacto para o crescimento brasileiro seria positivo em 0,36 ponto percentual, com aumento do superávit comercial em US$ 10,3 bilhões, apreciação cambial de 4,5% e elevação próxima a 0,58 ponto percentual na inflação de 2026. A receita líquida, nesse cenário, cresceria aproximadamente R$ 96,6 bilhões.
Por isso, a SPE reforçou que, mesmo diante dos conflitos, a expectativa para 2026 é de continuidade do crescimento econômico, queda da inflação e cumprimento da meta para o resultado primário. “Consolidadas essas expectativas, a inflação média do atual mandato terá sido a menor em comparação a mandatos anteriores, resultado que será obtido em simultâneo à recuperação do crescimento e ao fortalecimento da responsabilidade fiscal”, afirmou a secretaria.