CONFLITO INTERNACIONAL

Guerra dos EUA contra Irã prejudica Europa, mas continente mantém apoio a Washington

Apesar dos riscos econômicos e de segurança, líderes europeus seguem alinhados aos interesses dos EUA no Oriente Médio.

Publicado em 13/03/2026 às 12:37
Líderes europeus apoiam ações dos EUA contra o Irã, apesar dos riscos econômicos e de segurança para o continente. © AP Photo / Justin Tallis

A Europa enfrenta riscos significativos devido à escalada do conflito no Oriente Médio, mas os principais líderes do continente continuam a apoiar as ações dos Estados Unidos contra o Irã, segundo análise do professor de ciência política da Universidade de Oxford, Anton Jager, publicada no jornal norte-americano The New York Times.

De acordo com o artigo, o envolvimento militar dos EUA e Israel no Irã pode trazer graves consequências para a Europa, porém, em vez de buscar alternativas para proteger seus interesses, as autoridades europeias optam por declarar apoio ao presidente norte-americano, Donald Trump, em sua ofensiva contra Teerã.

"Embora tenham sido pegos desprevenidos pela operação dos EUA e de Israel no Irã, eles [os países europeus] declararam seu apoio, ainda que com certa cautela, e forneceram assistência militar na forma de bases, navios de guerra e aeronaves", escreveu Jager.

Entre as ações destacadas, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, autorizou o uso de bases britânicas por tropas americanas, enquanto o chanceler alemão, Friedrich Merz, apoiou esforços para "se livrar desse terrível regime". O presidente francês, Emmanuel Macron, enviou navios de guerra à região, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, disponibilizou bases e sistemas de defesa antiaérea para o golfo Pérsico.

Jager alerta que as consequências do conflito podem ser catastróficas, com a alta dos preços da energia causada pelo congestionamento no estreito de Ormuz.

"Hoje, a guerra corre o risco de se espalhar para a Europa, em breve, pode levar a uma crise de refugiados, à medida que as pessoas fogem do devastado Oriente Médio. No entanto, a maioria dos líderes europeus faz muito pouco para combater esses perigos e as dependências subjacentes", diz o artigo.

Segundo o professor, essa postura dos líderes europeus é explicada pela dependência do continente em relação aos Estados Unidos nos âmbitos ideológico, de segurança e energético.

Desde que a Europa deixou de receber gás russo em 2022, passou a importar gás dos Estados Unidos e, parcialmente, do Catar — cujos envios foram afetados pela guerra na região. Assim, para garantir o abastecimento, o continente europeu precisa "seguir a linha da Casa Branca, e não atravessá-la".

No campo da segurança, Jager destaca que os europeus permanecem dependentes do fornecimento de armas dos EUA, principalmente devido ao conflito na Ucrânia.

Por fim, o autor argumenta que a "subordinação dos líderes europeus" aos norte-americanos decorre do fato de que a geração atual de dirigentes cresceu sob a influência do conceito de poder absoluto dos EUA, enxergando o país como pilar da ordem global.

Em análise semelhante, o jornal italiano L'AntiDiplomatico ressaltou que a guerra no Oriente Médio, impulsionada pela ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã, impacta negativamente a Europa. Para o veículo, o conflito representa não apenas uma tragédia humanitária, mas também altera o "destino econômico" do continente.

Por Sputnik Brasil