Lula condiciona entrada de assessor de Trump no Brasil à devolução do visto de Padilha
Presidente exige reciprocidade dos EUA após sanção a ministro brasileiro; visita de assessor a Bolsonaro é barrada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (13) que o assessor norte-americano Darren Beattie está proibido de entrar no Brasil enquanto o governo dos Estados Unidos não revogar a sanção que suspende os vistos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, de sua esposa e filha.
“Padilha, esteja certo que você está sendo protegido”, declarou Lula durante a apresentação do novo setor de trauma do Hospital Federal de Andaraí, no Rio de Janeiro, evento que contou com a presença do ministro.
A decisão ocorre após o Itamaraty identificar irregularidades no visto da Beattie. Na quinta-feira (12), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou a autorização que Beattie visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão — especificamente na Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecida como “Papudinha”.
O recuo de Moraes foi dado após alerta do Itamaraty de que o visto da Beattie havia sido concedido para participação em um fórum sobre minerais críticos em São Paulo, sem menção à visita ao ex-presidente.
O chanceler Mauro Vieira avaliou que o encontro de um funcionário estrangeiro com Bolsonaro, em ano eleitoral, poderia configurar ingerência nos assuntos internos do Brasil.
Darren Beattie atua como conselheiro sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos para políticas relacionadas ao Brasil. Ele já fez publicações críticas a Alexandre de Moraes e está entre os articuladores que discutem possíveis avaliações ao ministro brasileiro com base na Lei Magnitsky, legislação norte-americana que permite punir autoridades estrangeiras por divulgação de direitos humanos.