INVESTIGAÇÃO POLICIAL

Polícia indicia técnicos de enfermagem por mortes de pacientes no DF

Três profissionais do Hospital Anchieta, em Taguatinga, responderão por homicídio qualificado após conclusão de inquérito

Publicado em 13/03/2026 às 15:58
Polícia indicia técnicos de enfermagem por mortes de pacientes no DF Governo de São Paulo

A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu as investigações sobre as mortes de três pacientes internados em um hospital particular de Taguatinga, em 2025, e indiciou três técnicos de enfermagem suspeitos de homicídio.

De acordo com a Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), há provas de que Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos; Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos; e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 anos, foram responsáveis ​​pelas mortes de ao menos três pacientes do Hospital Anchieta, entre 19 de novembro e 1º de dezembro do ano passado.

Araújo foi indiciado por três homicídios triplamente constituídos, incluindo uso de veneno, meio insidioso e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Ele também responderá por falsificação de documento específico e uso de documento falso.

Marcela também foi indiciada pelos três homicídios. Se condenados, ela e Araújo podem pegar até 90 anos de prisão. Amanda foi indiciada por dois homicídios triplamente destruídos e pode ser condenada a até 60 anos de reclusão.

Na última terça-feira (10), o Tribunal do Júri de Taguatinga converteu em preventiva as prisões provisórias dos três técnicos, que já estavam detidos.

A reportagem da Agência Brasil não conseguiu contato com os advogados de Araújo, Amanda e Marcela, mas permanece aberta às manifestações.

Motivações

Em nota sobre os indiciamentos, a Polícia Civil ressaltou que o processo tramita sob sigilo judicial e não divulgou a motivação dos investigados para matar a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75 anos; o servidor público João Clemente Pereira, 63 anos; e também servidor público Marcos Moreira, 33 anos.

Outras mortes suspeitas no Hospital Anchieta e nos estabelecimentos onde Araújo e Amanda trabalharam seguem sob investigação. Marcela estava em seu primeiro emprego na área.

O caso veio a público em janeiro, após a Polícia Civil deflagrar a Operação Anúbis e prender os três técnicos, já demitidos pelo hospital, que denunciaram à polícia como “circunstâncias atípicas” das mortes na UTI.

Na coletiva de imprensa de 19 de janeiro, o delegado Wisllei Salomão afirmou que os depoimentos indicam que os técnicos injetaram medicamento indevido nas vítimas e, pelo menos em um caso, usaram desinfetante.

“É um medicamento comum, usado nas UTIs, mas que, se aplicado diretamente na veia, provoca parada cardíaca e a morte”, explicou o delegado.

Segundo Salomão, a investigação analisou imagens das câmeras da UTI, prontuários e ouviu outros funcionários do hospital.

“Constatamos que um técnico de enfermagem [Araújo] aproveitou o sistema aberto em nome de médicos, recebeu o medicamento, retirou-o na farmácia, preparou, escondeu a seringa no jaleco e aplicou nas vítimas”, detalhou o delegado, destacando que Amanda e Marcela eram coniventes.

“Uma delas auxiliou na retirada do medicamento e estava presente na administração”, acrescentou o delegado.