GESTÃO E REESTRUTURAÇÃO

Correios renegociam 98,2% das dívidas com fornecedores e economizam R$ 321 milhões

Plano de reestruturação garante fôlego ao caixa da estatal, mas expectativa é de prejuízo em 2026, revertido apenas em 2027

Publicado em 13/03/2026 às 17:44
Antônio Cruz/Agência Brasil

A direção dos Correios avalia de forma positiva os resultados iniciais do plano de reestruturação da estatal, destacando o cumprimento das metas de receita e despesa. As medidas adotadas têm proporcionado maior folga ao caixa e mantido a liquidez da empresa. No entanto, a projeção ainda aponta para um prejuízo significativo em 2026, com reversão prevista apenas para 2027.

Entre janeiro e esta sexta-feira, 13, os Correios economizaram R$ 321 milhões ao renegociar 98,2% de suas dívidas com fornecedores e prestadores de serviços. Nesse processo, os credores aceitaram abrir mão de multas e juros para receber os valores devidos. Parte dos pagamentos foi parcelada sem aplicação de correções monetárias.

Essas negociações foram viabilizadas graças ao empréstimo de R$ 12 bilhões obtido junto a um consórcio de bancos, com garantia da União, firmado no final de 2025.

A estatal busca se recuperar da maior crise de sua história, que resultou em prejuízo de R$ 6,057 bilhões entre janeiro e setembro do ano passado. Para 2026, o governo projeta um déficit primário de R$ 9,101 bilhões.

Para reforçar a liquidez, os Correios também negociaram o parcelamento de R$ 1,2 bilhão em pagamentos de precatórios e impostos. Embora não represente economia definitiva, o escalonamento desses pagamentos contribui para aliviar o caixa no curto prazo.

Outra estratégia para fortalecer as finanças é a venda de imóveis. Ainda neste mês, a estatal pretende leiloar cerca de R$ 600 milhões em imóveis, concentrados em cidades médias e grandes. A expectativa é vender entre 20% e 40% dos ativos ofertados, o que pode gerar até R$ 120 milhões. O plano de reestruturação prevê a venda total de R$ 1,5 bilhão em imóveis.

Os Correios também implementaram um Plano de Demissão Voluntária (PDV), com meta de desligar até 10 mil funcionários. Até o momento, 500 colaboradores já deixaram a empresa e outros mil devem sair até a próxima segunda-feira, 16.

A expectativa é alcançar a meta de desligamentos ainda este ano, impulsionada também pelo fechamento de unidades físicas. Até agora, 127 pontos foram fechados, de um total previsto de mil.

Internamente, a direção dos Correios reconhece o desafio de equilibrar interesses do governo, dos trabalhadores e da sociedade. Apesar do apoio do Executivo, há resistência dos funcionários diante do processo de reestruturação, considerado difícil, mas necessário para a recuperação da empresa.

A revisão do plano de saúde dos empregados, o Postal Saúde, já gerou economia de cerca de R$ 70 milhões apenas em janeiro. Para 2026, a expectativa é que a economia total com o benefício fique entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões.

Dados internos indicam que, já em 2026, o índice de entregas no prazo prometido subiu de 65% para 91%. O objetivo é alcançar 97% para ampliar as receitas.

Buscando aprimorar a qualidade dos serviços, os Correios realizaram seleção para superintendentes e estabeleceram metas de economia para as unidades, que somam R$ 1 bilhão ao ano.

Está em estudo uma forma de recompensar funcionários pelo atingimento de metas, mas a limitação de caixa impede incentivos financeiros diretos. Por ora, o cumprimento dos objetivos contribui para a progressão de carreira dos trabalhadores.