Navio histórico que afundou parcialmente em Santos será içado; Marinha investigará causas
A Marinha do Brasil abriu um inquérito administrativo para apurar as causas do afundamento parcial do navio oceanográfico Professor W. Bernard, ocorrido na noite de sexta-feira, 13, em Santos, no litoral de São Paulo. Um furto de um cabo de energia contribuiu para o sinistro, segundo o Instituto do Mar (Imar), responsável pela embarcação. O corte na energia interrompeu o funcionamento de uma bomba de sucção e encheu o casco do navio de água. Com isso, segundo o instituto, a embarcação adernou, ficando apoiada no fundo do estuário.
A prefeitura de Santos informou que não é parte dos acordos envolvendo o navio e não foi notificada sobre o furto da fiação. Já a Autoridade Portuária de Santos (APS) diz que o navio será içado e levado para um estaleiro, a fim de que seja restaurado com apoio de empresas parceiras.
O W. Besnard, que realizou a primeira expedição brasileira à Antártida, foi doado pela prefeitura de Ilhabela ao Imar e estava ancorado no cais do Valongo, em Santos, à espera de ser restaurado. Com o afundamento parcial, metade da embarcação ficou sob a água do mar. Uma equipe de emergência realizou o reforço da amarração da embarcação e instalou um cerco de contenção ambiental para evitar impactos ao entorno.
Conforme o Imar, o furto da fiação ocorreu antes do carnaval. O ponto de energia havia sido cedido pela prefeitura, já que a vedação do navio, fora de operação desde 2008, estava comprometida.
A prefeitura de Santos diz que, a pedido do Instituto do Mar, colaborou com o fornecimento de energia exclusivamente para os serviços de recuperação do navio, em reconhecimento à sua importância histórica, sempre que solicitado. No entanto, não houve qualquer notificação da entidade à administração sobre furto da fiação.
Apesar disso, o município se dispôs a religar a transmissão, mas suspendeu porque o navio será retirado do local.
A prefeitura afirma que o Parque Valongo conta com câmeras de monitoramento e patrulhamento da Guarda Portuária e da Guarda Civil Municipal, sendo a segurança da embarcação de responsabilidade do Instituto do Mar.
Em vídeo publicado na pagina oficial da Autoridade Aeroportuária de Santos, o presidente Anderson Pomini, diz que vai içar o barco e levá-lo a um estaleiro para, com apoio das empresas parceiras do porto e a comunidade marítima, fazer sua recuperação. Se isso não for possível, parte do navio será preservada e instalada no Valongo.
Marinha
A Marinha informou, por meio da Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), que ao tomar conhecimento do adernamento do navio Professor W. Besnard, no Cais do Valongo, duas equipes de militares peritos da CPSP foram prontamente acionadas e estiveram no local pela água e por terra. Foi constatado que o navio se encontrava assentado ao leito e permanecia amarrado ao cais, não oferecendo risco iminente à navegação.
Um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) foi instaurado para apurar as causas e possíveis responsáveis pelo ocorrido. Não foram observadas vítimas ou poluição hídrica.
Expedição histórica à Antártida
O navio foi projetado no Brasil, mas a construção se deu na Noruega, em 1966. O nome da embarcação homenageia o primeiro diretor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), Wladimir Besnard. O navio participou da primeira expedição brasileira à Antártida, em 1982. Nas décadas seguintes, realizou outras cinco expedições à Antártida e centenas de outras missões científicas, tendo navegado mais de três mil dias.
Em 2008, o navio teve baixa operacional e foi cedido pela USP para a prefeitura de Ilhabela, que pretendia afundá-lo para criar um recife artificial. Cinco anos depois, a Justiça impediu o afundamento e o navio foi doado para o Imar, para que fosse restaurado. O projeto não avançou por falta de apoio financeiro. O barco acabou sendo atracado no cais do Parque Valongo como atração turística.