IMPACTO GLOBAL

Conflito no Oriente Médio pode desacelerar avanço do comércio mundial em 2026, avalia OMC

Organização Mundial do Comércio alerta para possíveis efeitos do conflito nos preços de energia, alimentos e serviços, com impacto direto nas projeções de crescimento global.

Publicado em 19/03/2026 às 11:20
Conflito no Oriente Médio pode desacelerar avanço do comércio mundial em 2026, avalia OMC © ANSA/AFP

O conflito no Oriente Médio pode frear o crescimento do comércio mundial caso os preços da energia permaneçam elevados, forneça o fornecimento de alimentos e o comércio de serviços devido a contratos em viagens e transportes. A avaliação consta do relatório de Perspectivas e Estatísticas do Comércio Global, divulgado nesta quinta-feira, 19, pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo a OMC, o cenário pode melhorar caso a guerra entre EUA e Irã termine rapidamente e o crescimento dos investimentos em inteligência artificial (IA) seja suspenso.

A organização projeta que o comércio global de mercadorias desacelere para 1,9% em 2026, após alta de 4,6% em 2025, com nova alavancagem para 2,6% em 2027. O comércio de serviços deve crescer 4,8% em 2026, ante expansão de 5,3% no ano anterior, e retomar ritmo mais forte para 5,1% em 2027. No total, a soma de bens e serviços deve avançar 2,7% em 2026, frente a 4,7% em 2025.

O Produto Interno Bruto (PIB) global deve moderar de 2,9% em 2025 para 2,8% em 2026, mantendo esse patamar em 2027, conforme a OMC. Contudo, se os preços do petróleo bruto e do gás natural liquefeito (GNL) permanecerem elevados ao longo de 2026, a previsão para o PIB pode ser reduzido em 0,3 ponto percentual (pp) neste ano.

Nesse contexto, a organização alerta que as projeções do comércio podem sofrer corte de 0,5 pp em 2026 e até 1,0 pp para regiões mais dependentes de energia. Isso pode limitar o crescimento do comércio de mercadorias a apenas 1,4% no cenário de preços altos, enquanto o comércio de serviços avançou em ritmo mais lento, de 4,1%.

A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, destacou que a perspectiva reflete a resiliência do comércio global, mas ressalta que a compensação está “sob pressão” devido ao conflito no Oriente Médio.