CENÁRIO INTERNACIONAL

Para FMI, aperto de condições financeiras pode criar ambiente mais difícil para emergentes

Diretora do Fundo Monetário Internacional alerta que tensões no Oriente Médio aumentam riscos para economias como o Brasil.

Publicado em 19/03/2026 às 15:58
Julie Kozack

Julie Kozack, diretora de Comunicações do Fundo Monetário Internacional (FMI), alertou nesta quinta-feira (19) para o risco de um ambiente mais difícil para as economias emergentes — incluindo o Brasil — diante dos impactos financeiros decorrentes da guerra no Oriente Médio. Segundo Kozack, a situação global é "fluida" e "incerta".

"Condições financeiras globais mais apertadas têm o potencial de tornar ou criar um ambiente mais difícil para todas as economias emergentes e até mesmo para algumas economias avançadas", avaliou Kozack durante conversa com jornalistas.

De acordo com ela, os mercados globais responderam aos conflitos com maior volatilidade, mas o efeito nas condições financeiras mundiais dependerá da duração e intensidade da guerra, que envolve EUA e Israel de um lado e o Irã do outro. O conflito já entra em sua terceira semana.

"Os preços das ações globais caíram. Os rendimentos dos títulos aumentaram em vários países, incluindo economias avançadas como Estados Unidos, Reino Unido e Europa, mas também em países emergentes e em desenvolvimento", detalhou Kozack. "O quadro agora, e os canais, o impacto geral, claro, vão depender muito da duração e intensidade do conflito", reforçou.

Argentina

Sobre a Argentina, Kozack afirmou que o país enfrentou o choque "relativamente bem", apesar do "ambiente global mais desafiador". "O progresso está continuando em algumas frentes-chave, o engajamento entre a equipe do FMI e as autoridades argentinas é muito próximo, e as negociações estão avançando", relatou.

A porta-voz do FMI destacou que a principal diferença na resposta argentina ao recente choque está no fato de o país ser agora exportador líquido de energia. "Em 2022, quando tivemos o último grande choque de preços de energia, a Argentina era importadora líquida. Agora, é exportadora líquida de US$ 8 bilhões em petróleo e gás no ano passado", explicou.

O FMI espera avanços adicionais na Argentina, justamente pelo país ter se tornado exportador líquido de energia no médio prazo.

Segundo Kozack, o Fundo observa o início de uma tendência que proporciona um "fator de mitigação significativo" para a economia argentina.

"As reformas estão avançando em múltiplas frentes na Argentina para consolidar os ganhos de estabilização iniciais que vimos", concluiu.