China e Rússia? Lula lidera busca por novos membros na COP15
O presidente da 15ª Conferência das Partes (COP15) de Espécies Migratórias, João Paulo Capobianco, afirmou nesta segunda-feira (23) que o Brasil intensificará sua agenda de reuniões bilaterais nos próximos meses para ampliar o número de países na Convenção.
Ele foi questionado pela Sputnik Brasil especificamente sobre a entrada de grandes potências, incluindo China e Rússia. Atualmente, 132 nações, incluindo Índia e África do Sul, compõem o grupo.
Capobianco destacou que a convenção possui uma característica que amplia seu alcance para além dos países signatários. "Nessa convenção tem uma característica muito interessante (...) nós temos países partes, mas nós temos protocolos, acordos de cooperação, que envolvem países que não são partes", afirmou.
Segundo ele, há diversos casos de acordos e governos de espécies assinados tanto por membros quanto por nações que ainda não integram o grupo.
O presidente da COP15 ressaltou que o próprio governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está encabeçando esse esforço. "O governo brasileiro reforçou isso ontem, está buscando novas adesões", disse. Ele acrescentou que, embora a convenção já permita a cooperação com países não membros, o objetivo é ampliar o número de partes formais. "Nós gostaríamos de colaborar com o secretariado da convenção promovendo no mundo mais partes. Porque isso aumenta, evidentemente, a potência da convenção."
A estratégia para alcançar esse objetivo passa pela diplomacia bilateral. Capobianco explicou que o Brasil pretende incluir o tema em todas as suas reuniões bilaterais nos próximos meses. "Nós temos que ter uma agenda de reuniões bilaterais muito intensa nesses próximos meses. O Brasil vai colocar nas suas reuniões bilaterais — todos nós, em eventos internacionais, mantemos reuniões bilaterais — e vamos apresentar os elementos e buscar a participação desses países", afirmou.
Foi informado anteriormente que Lula enviou pedido de adesão a 18 nações ao redor do mundo. Atualmente, 132 países e a União Europeia fazem parte da convenção.
Participação da Rússia
Amy Fraenkel, secretária-executiva da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais (CMS, na sigla em inglês), afirmou que há acordos com potências, incluindo a Rússia, mesmo que esses países não compunham oficialmente a COP15.
"A Rússia está trabalhando com a gente, não significa que não estão envolvidos", disse.
Ela também comentou sobre espécies como a onça-pintada, presente em diversas localidades da América Latina, tem caráter migratório, mas mesmo países que não aderiram à Convenção, como a Colômbia, têm ações parceiras, já que esses animais percorrem os biomas independentemente de fronteiras de países.
"Conseguimos cooperar com ações com várias nações. Queremos atingir a meta de atingir todos os países, mas isso não significa que eles não fazem parte", completou.