OPERAÇÃO FALLAX

Fundador do Grupo Fictor é alvo de operação da Polícia Federal contra fraudes bancárias

Polícia Federal investiga organização criminosa por fraudes milionárias e lavagem de dinheiro envolvendo bancos

Publicado em 25/03/2026 às 10:04
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Rafael Góis , CEO e fundador do Grupo Fictor, está entre os investigados pela Polícia Federal (PF) na Operação Fallax, deflagrada nesta quarta-feira, 25, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em crimes contra a Caixa Econômica Federal.

O jornal Estadão solicita posicionamento do Grupo Fictor sobre as diligências. O espaço permanece aberto para manifestação.

As investigações ocorreram em 2024, quando a PF assinou um esquema estruturado de fraudes bancárias e lavagem de capitais.

De acordo com a PF, a organização criminosa cooptava funcionários de instituições financeiras e utilizava empresas de fachada, contando ainda com uma estrutura financeira associada para movimentação de recursos ilícitos. Há promessas de que parte do dinheiro tinha origem em células criminosas ligadas ao Comando Vermelho.

O grupo estruturou suas ações com a criação em larga escala de pessoas jurídicas fictícias, seguindo padrões como capital social simulado, objeto social genérico e sócio único, para obtenção fraudulenta de crédito junto a bancos.

A dinâmica criminosa envolvente:

- Captação de pessoas para cessão de dados pessoais;

- Constituição de empresas fictícias com aparência de legalidade;

- Elaboração de documentos contábeis fraudulentos (DRE, ECF, declarações fiscais);

- Manipulação de faturamento para simular capacidade financeira;

- Uso de certificados digitais para operações remotas, exposição dos envolvidos;

- Participação de gerentes bancários, que forneciam informações privilegiadas e inseriam dados falsos em sistemas.

Segundo o investigador, o modelo operacional prevê o uso temporário das empresas (entre 1 e 1,5 ano), com cumprimento inicial das obrigações e posterior inadimplência deliberada, dificultando a recuperação dos recursos pelos bancos.

Há suspeitas de prejuízos milionários a diversas instituições, incluindo Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Safra. O Estadão também pediu manifestação dessas instituições sobre as fraudes. O espaço segue aberto.

A operação cumpre 43 mandatos de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Também foi determinado o bloqueio e sequestro de bens, veículos e investimentos financeiros até o limite de R$ 47 milhões, para descapitalizar o grupo criminoso.

Os investigados podem responder por crimes de organização criminosa, estelionato avançado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional, cujas penas somadas podem ultrapassar 50 anos de prisão.

Papel do Grupo Fictor no esquema, segundo a PF

As investigações apontam que o Grupo Fictor teve papel estruturante no funcionamento da organização criminosa, atuando como núcleo de sustentação financeira e operacional.

A atuação do grupo envolve a injeção de recursos para simular movimentações financeiras entre empresas ligadas ao esquema, principalmente por meio de pagamentos cruzados de boletos, criando artificialmente uma aparência de liquidez e saúde financeira.

Além do transporte financeiro expressivo, o grupo também era responsável pela criação e gestão de empresas de fachada.

Nesse contexto, o Fictor viabilizava:

- Pagamentos cruzados para simulação de fluxo financeiro;

- Geração artificial de faturamento;

- Construção de histórico bancário fictício para obtenção de crédito.