TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Irã autoriza passagem de navios russos e aliados pelo estreito de Ormuz

Chanceler afirma que apenas embarcações de países considerados amigos poderão cruzar a estratégica rota marítima; navios de EUA e Israel estão vetados.

Por Sputinik Brasil Publicado em 25/03/2026 às 20:03
Navios aliados ao Irã recebem autorização para cruzar o estratégico estreito de Ormuz em meio à tensão regional. © AP Photo / Jon Gambrell

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou nesta quarta-feira (25) que Teerã autorizou a passagem de navios de países aliados, incluindo a Rússia, pelo estreito de Ormuz.

"Autorizamos a passagem pelo estreito de Ormuz para China, Rússia, Índia, Paquistão e Iraque, bem como para outros Estados que consideramos amigos", declarou o ministro, segundo o canal libanês Al-Mayadeen. Araghchi ressaltou ainda que Teerã não vê motivos para permitir a passagem de "navios inimigos".

No dia anterior, terça-feira (24), o Irã enviou uma carta aos membros da Organização Marítima Internacional (OMI), detalhando os procedimentos para a passagem de embarcações na região, de acordo com o Financial Times, que teve acesso ao documento.

Na correspondência, o Ministério das Relações Exteriores iraniano informou que permitirá a passagem de "embarcações não hostis" pelo estreito somente "em coordenação com as autoridades iranianas".

"O Irã adotou medidas necessárias e proporcionais para impedir que agressores e seus apoiadores explorem o estreito de Ormuz para avançar operações hostis contra o país", diz o documento citado pelo jornal.

Segundo a carta, embarcações vinculadas aos Estados Unidos, a Israel ou a "outros participantes da agressão" não terão direito de passagem.

Em resposta ao impacto do bloqueio de uma das principais rotas marítimas do mundo, Washington apresentou a Teerã um plano de 15 pontos para encerrar o conflito no Oriente Médio. O documento aborda temas de segurança e a restauração da navegação na região, especialmente no estreito de Ormuz, cujo bloqueio resultou em interrupções no fornecimento de energia e aumentos expressivos nos preços globais do petróleo e do gás.

A escalada de tensões no Irã levou ao bloqueio da principal rota de exportação de petróleo e gás natural liquefeito dos países do Golfo Pérsico, afetando os níveis de produção e exportação desde o início do mês.