'Saio daqui derrotada', diz comandante da Guarda Civil após sepultamento de colega no ES
Comandante da Guarda Municipal de Vila Velha lamenta morte de Dayse Barbosa, vítima de feminicídio, e cobra ações mais efetivas contra a violência de gênero.
Alerta: O texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
"Saio daqui derrotada", declarou a jornalistas Landa Marques, comandante da Guarda Civil Municipal de Vila Velha (ES), após o sepultamento da colega Dayse Barbosa, realizado no Cemitério de Santo Antônio, em Vitória, na última segunda-feira (23).
Dayse Barbosa, comandante da Guarda Municipal de Vitória, foi assassinada a tiros dentro de casa na madrugada de segunda-feira. O principal suspeito é o ex-namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que se suicidou após cometer o crime. A polícia identificou sinais de arrombamento na residência de Dayse e investiga o caso como feminicídio.
Landa, amiga da vítima, destacou a urgência de combater o feminicídio e a violência contra a mulher no Brasil. "Falamos de políticas públicas o dia inteiro para as mulheres, para todos. Precisamos virar o jogo, acho que está todo mundo muito gente boa, tranquilo", disse, emocionada, ao questionar a passividade diante desses crimes.
"As mulheres precisam acordar e lembrar que ninguém vai vir salvar a gente. Precisamos umas proteger as outras e adotar medidas mais severas", afirmou, sem detalhar quais seriam essas ações.
Somente no Estado de São Paulo, o mês de janeiro registrou recorde de feminicídios em 2026. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), foram 27 casos no mês, uma média de quase um por dia.
O caso
Dayse teve a casa invadida por Diego durante a madrugada de segunda-feira e foi atingida por disparos – ao menos cinco cápsulas de munição foram encontradas em seu quarto. Após o crime, o suspeito cometeu suicídio.
As investigações da Polícia Civil do Espírito Santo apontam para um crime premeditado. A perícia encontrou sinais de arrombamento na porta do quarto da vítima e indícios de planejamento por parte do agressor.
Após o crime, familiares relataram à polícia que Diego era ciumento e controlador. Dayse havia terminado o relacionamento, mas o policial rodoviário não aceitava o fim da relação.
De acordo com a investigação, não havia registros formais de denúncia contra o policial. "A comandante nunca relatou para os companheiros da Guarda Municipal, nem havia registro junto à Polícia Civil", informou a delegada responsável pelo caso.
Quem era Dayse Barbosa?
Dayse Barbosa era comandante da Guarda Municipal de Vitória. Nas redes sociais, compartilhava sua rotina de trabalho e participações em ações de segurança. Ela era formada em Pedagogia e pós-graduada em Segurança Pública.
Mãe de uma criança de 8 anos, Dayse estava à frente da Guarda desde 2023, conforme relatou em seu Instagram.
"Confesso que é exaustivo e desgastante, na maioria das vezes. Mas é por acreditar que estou mais acertando do que errando que sigo firme nessa missão que recebi. Fiz um compromisso de liderar, inspirar e motivar. Tenho orgulho de usar este uniforme, de fazer parte desta instituição e de representar a Guarda de Vitória", escreveu em fevereiro de 2024.
A gerente de Proteção à Mulher da Secretaria de Segurança Pública, delegada Michele Meira, classificou a perda como irreparável. Segundo ela, Dayse participou de diversas ações e cursos voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher.